Acordo entre Mercosul e União Europeia será assinado em 17 de janeiro no Paraguai

O chanceler argentino, Pablo Quirno, anunciou nesta sexta-feira que o acordo histórico entre o Mercosul e a União Europeia será assinado no dia 17 de janeiro no Paraguai. A confirmação veio após a aprovação por parte dos embaixadores dos países da UE, que representam a maioria qualificada dos 27 Estados-membros.

Repercussões e benefícios do acordo Mercosul-UE

Segundo Quirno, este tratado será o mais ambicioso entre os dois blocos, garantindo acesso preferencial à terceira maior economia global, com uma população de 450 milhões de pessoas e cerca de 15% do PIB mundial. “A Argentina e os países do Mercosul terão acesso preferencial à União Europeia, que eliminará tarifas para 92% de nossas exportações e oferecerá acesso preferencial para os outros 7,5%”, afirmou o chanceler na rede social X.

Ele destacou ainda que “99% das exportações agrícolas do Mercosul serão beneficiadas”. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também manifestou entusiasmo com o acordo, indicando que a assinatura deve ocorrer na segunda-feira, dia 12, no Paraguai.

Histórico de negociações e impacto econômico

O tratado vem sendo negociado desde 1999 pelos países fundadores do Mercosul — Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai — e visa criar a maior zona de livre comércio do mundo, envolvendo mais de 700 milhões de consumidores. A iniciativa prevê a eliminação de tarifas sobre mais de 90% do comércio bilateral.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou a aprovação do acordo, afirmando que representa um momento “histórico para o multilateralismo”. Além disso, o governo português reforçou a importância da iniciativa para consolidar a autonomia estratégica da UE, em um cenário cada vez mais complexo internacionalmente.

Reações e desafios futuros

Enquanto o chanceler alemão Friedrich Merz classificou o acordo como um “marco” na política comercial europeia, ele também alertou que a resistência do setor agropecuário europeu, especialmente em relação à entrada de carne, soja, arroz e mel sul-americanos, pode gerar obstáculos futuros.

Por sua vez, há ameaças de eurodeputados de recorrerem à Justiça para impedir a implementação do tratado, após quase 25 anos de negociações. Autoridades apontam que o pacto reforça o protagonismo de ambos os blocos em uma era de protecionismo crescente.

Para o governo brasileiro, o acordo reforça a posição do país no comércio internacional e responde à crescente pressão por unilateralismo, além de abrir novas oportunidades de mercado para exportadores brasileiros, incluindo veículos, máquinas, queijos e vinhos, no mercado europeu.

Mais informações sobre os impactos econômicos e estratégicos do acordo podem ser acessadas no análise sobre fatores que aceleraram a assinatura.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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