Ações da Azul despencam mais de 70% após oferta de ações e aprovação de recuperação judicial

As ações da Azul enfrentaram forte queda nesta quinta-feira (8), desabando mais de 70% perto das 15h30, após a companhia anunciar uma nova oferta de ações e a aprovação do seu plano de recuperação judicial nos Estados Unidos. Os papéis acumulam uma queda superior a 90% em cinco dias, refletindo o impacto das medidas de reestruturação financeira adotadas pela empresa.

Oferta de ações e objetivo da reestruturação

Segundo comunicado divulgado pela Azul em dezembro de 2025, a oferta pública de ações tem o objetivo de capitalizar a companhia por meio da troca obrigatória de dívidas financeiras por ações. A operação resultou na emissão de cerca de 723,9 bilhões de ações ordinárias e o mesmo volume de ações preferenciais, vendidas em lotes de 1 mil e 10 mil papéis, totalizando R$ 7,4 bilhões em ações.

Esta iniciativa visa reduzir o elevado endividamento da empresa, permitindo uma reorganização financeira e facilitando sua recuperação. Como parte do processo, credores deixam de receber juros e passam a atuar como acionistas, contribuindo para a sustentabilidade financeira da Azul.

Recuperação judicial e aprovação nos EUA

O plano de reorganização da Azul foi aprovado pela Justiça americana em dezembro de 2025, encerrando mais uma etapa do seu processo de recuperação judicial iniciado em maio de 2024. A companhia entrou com pedido sob o Capítulo 11 da Lei de Falências dos Estados Unidos, mecanismo semelhante à recuperação judicial brasileira.

Conforme a Azul, o mecanismo foi adotado devido aos efeitos profundos da pandemia de Covid-19, que elevaram significativamente seu endividamento, além de pressões macroeconômicas e setoriais, como alta dos custos operacionais e o aumento do preço do combustível.

Histórico de recuperação no setor

A Azul não é a primeira do setor aéreo brasileiro a recorrer ao capítulo 11. A Latam concluiu seu processo de reestruturação em 2022, enquanto a Gol passou pelo procedimento em 2024, deixando oficialmente o mecanismo em junho de 2025. A expectativa da Azul é concluir sua recuperação ainda neste ano.

Impactos e perspectivas

Na prática, as ações emitidas e a reestruturação visam fortalecer a saúde financeira da companhia, que enfrenta desafios estruturais há anos, agravados pela crise global e as instabilidades econômicas brasileiras. A forte queda do valor das ações nesta quinta reflete o momento delicado pelo qual passa a empresa.

Além disso, o aumento do volume de pedidos de recuperação judicial no setor aéreo, como aponta histórico recente, revela dificuldades enfrentadas por companhias nacionais, incluindo altas despesas com dólar, combustíveis e custos operacionais elevados.

A Azul projeta que o processo de reestruturação seja concluído ainda neste ano, o que pode abrir espaço para uma eventual retomada de investimentos e melhora na performance financeira. Entretanto, o cenário permanece desafiador devido às condições econômicas globais e locais.

Para acompanhar as novidades e entender as próximas etapas do processo, leia mais no G1.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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