O assalariado, os preços e o mercado

A estrutura sócio-política-econômica e cultural do Brasil está profundamente combalida. Não está bem e a tendência é de se profundarem estas dificuldades, relativamente à população. É o resultado das relações do Estado e o complexo social que não estão devidamente alinhados.

​Nenhum povo do planeta. Nenhuma sociedade; nenhuma nação; nenhum país tornar-se-á regularmente desenvolvido se não obtiver as condições plenas quanto ao sistema econômico ou quanto às atividades econômicas para atender às necessidades primárias quanto à alimentação do povo.

​As estruturas sociais e econômicas do Brasil estão debilitadas e/ou esclerosadas; portanto, incapazes de atenderem às demandas da sociedade quanto ao emprego e renda, alimentação, estudo e/ou educação, vestimentas, transportes, etc.

​Os salários perderam completamente o valor de compra, de aquisição de produtos, especialmente quanto à alimentação.
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Pois, os preços dos produtos alimentícios no mercado aumentaram assustadoramente; consumiram os salários de todos, intensamente; especialmente dos que percebem salário mínimo e/ou aposentadorias baixas.
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O aumento desproporcional dos produtos, notadamente alimentícios, dragou a capacidade de compra daqueles que recebem salário-mínimo.
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Aqueles que percebem salário-mínimo ou um pouco acima deste valor, estão sem poder de compra; sem capacidade de adquirirem alimentos porque o valor salarial de aquisição de compra desse salário foi escrachado pelos constantes aumentos dos produtos no ponto de venda.
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Por conseguinte, uma multidão de brasileiros está passando fome, comendo mal, alimentando-se inadequadamente porque o salário que percebe foi dragado pelos persistentes e constantes aumentos dos preços determinados pela cadeia de venda, com a sua negociação espoliativa e extremamente prejudicial ao consumidor.
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Além da incapacidade de aquisição alimentar imprescindíveis à sua alimentação, os assalariados estão privados, consequentemente, de comprarem outros bens essenciais à sua sobrevida; justamente por conta do salário aviltado pelos aumentos persistentes de todos os produtos.
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Portanto, os brasileiros, na sua imensa maioria, estão passando necessidade; estão se alimentando mal; passando fome, em uma gravidade profunda e aviltante.
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O aumento constante dos preços dos produtos repercutiu, automaticamente na moeda, a qual está intensamente desvalorizada, perdendo o seu poder de compra e/ou aquisição dia após dia.

​Esta política de valorização nos preços, procedida inconsequentemente pelos empresários, está inviabilizando a cadeia produtiva, a qual reduz, com grande poder, o número e/ou quantidade de produtores e/ou empresários responsáveis pela produção dos alimentos e/ou outros objetos de consumo.

​Esta política, que diminui a quantidade de produção, acaba com o emprego, extingue a renda, empobrece o produtor, arrasa o mercado e o número de famílias só aumenta; com o Brasil escrachado e inviabilizado, em todas as estruturas sócio-política-econômica e cultural, inexoravelmente.

​Urge, portanto, uma ação urgente de governo, jamais com aumento do Bolsa Família, porém, com um vasto programa de aumento da industrialização do País; persistir com a agricultura; potencializar as energias para poder voltar a crescer para criar emprego e renda. E melhorar a cidadania

MAGNO PIRES é Diretor-geral do Instituto de Águas e Esgotos do Piauí – IAE-PI, Ex-Secretário de Administração do Piauí e ex-presidente da Fundação CEPRO, advogado da União (aposentado), professor, jornalista e ex-advogado da Cia. Antárctica Paulista (hoje AMBEV) por 32 anos e Vice-presidente da Academia Piauiense de Letras-APL.

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