Na ONU, Trump ameaça uso da força na América Latina
Em seu discurso no primeiro dia dos Debates Gerais da Assembleia Geral da ONU, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que seu país “está mais forte hoje do que nunca”, anunciou a construção de bases na Groenlândia e reconheceu que a intervenção na Venezuela teria fins majoritariamente econômicos.
Trump também voltou a ameaçar “aniquilar” o Irã, dizendo ter uma “decisão para tomar” sobre o futuro da guerra que lançou em fevereiro, e disse que o uso do “poderio militar” americano não está descartado na América Latina. Na fala, carregada de tons patrióticos, o republicano afirmou que seu país “está mais forte hoje do que nunca”, anunciou a construção de bases na Groenlândia e reconheceu que a intervenção na Venezuela teria fins majoritariamente econômicos.
Os cartéis do narcotráfico, alvos de ataques americanos no Caribe e Pacífico e de ameaças no México, foram comparados a outro conhecido inimigo global.
— Os cartéis são o Estado Islâmico do Hemisfério Ocidental, não são gente boa. São inimigos em guerra contra a civilização, utilizando assassinatos, estupros, tortura e extorsão como instrumentos de terror. Assim como o Estado Islâmico, eles devem ser mortos, banidos ou detidos como combatentes inimigos, sem possibilidade de libertação, que é exatamente o que estamos fazendo — afirmou.
— Os EUA estão vivendo uma era de ouro — declarou, repetindo um de seus motes de campanha e lançando ataques ao governo de seu antecessor, Joe Biden, que deixou o poder em 2025. — Portanto, enquanto outros falavam, eu agia; enquanto outros falavam de paz, eu promovia a paz. Enquanto outros ignoravam ameaças, eu as enfrentava. Enquanto outros falavam de coragem, os EUA a demonstravam.
Ele defendeu a intervenção realizada no início do ano na Venezuela, que culminou com a captura do presidente Nicolás Maduro (preso a alguns quilômetros da ONU) e o início de uma relação próxima com a presidente interina, Delcy Rodríguez, um dos principais nomes do chavismo. Trump mencionou os acordos recentes firmados, como sobre o destino do petróleo, e oficializou a ideia de que a intervenção foi, principalmente, por razões econômicas.
Irã
O republicano fez uma longa defesa de sua guerra contra o Irã, que quase sete meses depois segue sem solução. Trump disse que “jamais permitirá” que a República Islâmica obtenha uma arma nuclear, e sugeriu que um acordo poderá ser firmado depois das eleições de novembro. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, discursará no plenário na quarta-feira.
— Eles eram os valentões do Oriente Médio, mas não são mais. Desde o primeiro dia em que assumi o cargo, a postura política tem sido inabalável. Jamais permitirei que o Irã tenha uma arma nuclear! — bradou. — Eles também fabricaram um míssil capaz de atingir a Europa e estavam muito orgulhosos disso. Espero que os europeus tenham percebido isso.
Segundo Trump, os EUA “têm uma decisão a tomar sobre o Irã”, e as nações aliadas devem isolar o país economicamente, referência ao plano de sanções que já começou a implementar, antes de repetir uma ameaça de aniquilação feita repetidamente, incluindo em entrevista ao portal Axios, na semana passada.
— Será feito um acordo com o Irã que lhes permita reconstruir e criar um país muito maior do que jamais foi? —disse Trump. — Ou eu aniquilo a República Islâmica?
Com informações da Reuters
Share this content:













Publicar comentário