Mario Frias e produtora de “Dark Horse” são alvos de operação da PF

A Polícia Federal realiza nesta quinta-feira (10) a operação Make Up, relacionada ao financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). São cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. Segundo o g1, o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e Karina Gama, produtora do filme, estão entre os alvos.

Segundo a PF, a operação busca apurar “suposto desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares repassadas, por meio de termo de fomento, a organização da sociedade civil”. O caso está no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria de Flávio Dino. A operação foi deflagrada pela PF e pela Controladoria Geral da União.

“As investigações apontam a existência de uma organização criminosa, formada por agentes públicos e privados, suspeita de direcionar os valores recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados. As tentativas de dissimular os desvios teriam se estendidos até julho deste ano”, disse a PF.

“Levantamentos financeiros identificaram, ainda, movimentação da ordem de centenas de milhões de reais entre as empresas que integram o esquema investigado. Estão sendo investigados os crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios”, declarou.

As apurações sobre o filme “Dark Horse”, cuja produção-executiva está a cargo de Frias, nasceram como desdobramento da operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master e seu fundador, Daniel Vorcaro. Em inglês, “dark horse” é uma expressão idiomática cuja tradução aproximada para o português seria “azarão”: um candidato político ou atleta pouco conhecido e subestimado que acaba surpreendendo e vencendo uma disputa. Há suspeita de que Mario Frias teria usado de forma irregular emendas ao Orçamento para financiar o filme.

Em maio de 2026, reportagens divulgaram conversas extraídas de aparelhos celulares de Vorcaro, apreendidos na Compliance Zero, com referências ao financiamento do filme. Em uma das conversas, o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece em um áudio pedindo dinheiro ao ex-banqueiro para bancar a produção de “Dark Horse”. O tema passou a ser relevante na corrida eleitoral pelo Palácio do Planalto. Flávio é o principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa um 4º mandato.

A partir das mensagens vazadas de Vorcaro, vários pedidos de investigação chegaram ao Supremo.

Frias protocolou no STF, no fim de agosto, uma questão de ordem dirigida ao presidente da Corte, Edson Fachin, em que pede que a investigação sobre o financiamento de “Dark Horse” seja redistribuída de Flávio Dino para André Mendonça. O pedido sustenta que ministro, indicado por Bolsonaro, é o juiz natural do caso por já conduzir todas as demais apurações sobre exatamente os mesmos fatos.

Com informações da Reuters

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