Música pode estimular comunicação e favorecer o desenvolvimento da fala em crianças autistas
A música vem ganhando cada vez mais espaço como recurso complementar no acompanhamento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Associada ao trabalho de equipes multidisciplinares, a musicoterapia pode estimular a comunicação, favorecer o desenvolvimento da linguagem, ampliar a interação social e contribuir para a regulação emocional.
Segundo a psicóloga clínica Sirlene Ferreira, especialista em autismo e desenvolvimento infantil, muitas crianças autistas apresentam facilidade para responder a estímulos musicais, mesmo quando encontram dificuldades na comunicação verbal. “A música cria um ambiente previsível, organizado e acolhedor. O ritmo, a repetição e a melodia despertam interesse, favorecem a atenção compartilhada e podem estimular iniciativas de comunicação”, explica.
Durante as sessões, são utilizados recursos como canções, instrumentos musicais, jogos sonoros e atividades rítmicas que incentivam a criança a participar, imitar sons, responder a comandos e ampliar seu repertório comunicativo. O objetivo não é ensinar música, mas utilizar seus elementos como ferramenta terapêutica.
Além da linguagem, a musicoterapia também contribui para o desenvolvimento da atenção, da coordenação motora, da expressão de emoções e da interação com outras pessoas. Em atividades em grupo, a criança aprende a esperar sua vez, compartilhar experiências e estabelecer vínculos de forma mais natural.
Para Sirlene Ferreira, o trabalho integrado entre psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e musicoterapia amplia as possibilidades de desenvolvimento da criança. “A música não substitui outras intervenções, mas pode potencializar o trabalho terapêutico quando inserida em um plano de cuidado individualizado. O mais importante é compreender que cada criança possui seu próprio ritmo de desenvolvimento e diferentes formas de se comunicar”, explica
A especialista destaca ainda que os benefícios não se restringem às crianças que desenvolvem a fala. Em muitos casos, a música fortalece outras formas de comunicação, como gestos, expressões faciais, contato visual e comunicação alternativa, favorecendo a autonomia e a participação social.
Quanto mais cedo a criança tem acesso a intervenções baseadas em evidências e adaptadas às suas necessidades, maiores são as oportunidades de desenvolver habilidades que favoreçam sua qualidade de vida. Nesse contexto, a musicoterapia se consolida como uma importante aliada, ampliando possibilidades de aprendizagem, expressão e inclusão.
Sobre Sirlene Ferreira
Sirlene Ferreira é psicóloga clínica, mãe neurodivergente e atua há mais de 26 anos na área clínica. É proprietária da Clínica Conecta ABA Incluir Brincando, especializada em autismo e desenvolvimento infantil. Graduada pela Unicapital, possui pós-graduação em Psicanálise em Saúde pelo Hospital Israelita Albert Einstein e MBA em Gestão de Pessoas pela FGV. Atua com intervenções voltadas à neurodivergência, consultoria, treinamentos e palestras, defendendo uma abordagem multidisciplinar, baseada em evidências e centrada no desenvolvimento integral da criança.
Fonte: Ascom
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