China diz que vai aumentar importação de petróleo iraniano após cessar-fogo dos EUA

A China estuda a possibilidade de aumentar a importação de petróleo bruto do Irã. A possibilidade surgiu após os Estados Unidos suspenderem temporariamente sanções contra o setor petrolífero iraniano, permitindo a venda de parte do óleo já em trânsito. A medida americana visa frear a alta nos preços do petróleo, pressionados pela guerra no Oriente Médio.

Fontes indicam que a Companhia Nacional de Petróleo do Irã e intermediários sondam discretamente refinarias asiáticas. No entanto, desafios como pagamentos, transporte e riscos de imagem ainda são obstáculos. Analistas alertam que mudanças significativas no fluxo de petróleo iraniano são improváveis no curto prazo.

O Irã já foi um importante fornecedor para Coreia do Sul e Japão antes do aperto das sanções americanas. A China, principal compradora, dependia de refinarias privadas menores, receosas de sanções dos EUA. Grandes refinarias estatais, como a Sinopec, ainda relutam em adquirir petróleo iraniano, citando preocupações legais com a curta janela de isenção e dificuldades logísticas.

A Sinopec reduziu suas taxas de operação em março para economizar petróleo devido a restrições de navegação no Estreito de Ormuz. A empresa também se dispôs a liberar reservas estratégicas de petróleo, caso necessário, conforme planos nacionais. A queda no lucro da Sinopec no ano passado foi atribuída à menor demanda por combustíveis e ao excesso de oferta.

A recente isenção americana, válida por um mês para petróleo transportado por via marítima, segue medidas similares para o petróleo russo. O objetivo é aliviar a oferta e conter os preços globais. Contudo, compradores potenciais analisam os detalhes das transações, pois outras restrições ao Irã, incluindo acesso ao sistema financeiro internacional, permanecem. A logística e o transporte marítimo em conformidade também são pontos críticos.

Armadores com atuação internacional demonstram preocupação com riscos de sanções ao lidar com intermediários do comércio iraniano. A incerteza sobre as regras e o futuro das transações após 19 de abril levam a uma análise cuidadosa dos contratos. Intermediários experientes no comércio de petróleo sancionado também examinam os detalhes para evitar penalidades.

Apesar das incertezas, o preço do petróleo iraniano vendido à China já subiu. O Iranian Light está sendo ofertado com um pequeno prêmio em relação ao Brent, revertendo os descontos observados no mês passado.

Fonte: O Globo

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