Crise no Oriente Médio dispara preços de combustíveis e afeta voos na Ásia

A guerra no Oriente Médio, iniciada há três semanas, já provoca fortes impactos na economia global, com a Ásia sentindo os primeiros efeitos severos. Os preços do combustível de aviação atingiram níveis recordes, forçando companhias aéreas a cancelar milhares de voos e deixando dezenas de milhares de passageiros sem alternativas. Governos de países como China, Coreia do Sul e Tailândia já anunciaram restrições nas exportações de energia, enquanto nações importadoras como o Vietnã e a Índia enfrentam racionamento e buscam ajuda externa.

A crise, que não tem um fim à vista, expõe a vulnerabilidade de economias dependentes do petróleo do Oriente Médio e com estoques limitados. Especialistas alertam que a situação pode piorar se o conflito se prolongar, prenunciando futuras escassez de gasolina e diesel. O combustível de aviação, sensível a interrupções no fornecimento devido a padrões de qualidade rigorosos e custos de armazenamento, age como um indicador precoce da instabilidade.

O bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, intensificou o problema. A interrupção do transporte marítimo afetou diretamente a Ásia, principal destino do petróleo da região. Em resposta, países asiáticos implementaram medidas drásticas: a Índia viu o armazenamento de gás liquefeito de petróleo aumentar, Bangladesh cancelou aulas universitárias e as Filipinas adotaram a semana de trabalho de quatro dias.

Os preços do combustível de aviação mais que dobraram em relação ao período pré-guerra, superando o aumento do petróleo Brent. A estrutura global de refino, onde países exportadores de petróleo bruto não são necessariamente os mesmos que o refinam, agrava a situação. A Coreia do Sul, por exemplo, é grande exportadora de combustível de aviação, mas depende de petróleo importado.

A China, um dos primeiros a restringir exportações de derivados de petróleo, incluindo combustível de aviação, impactou países onde fornece metade do consumo. Tailândia e Coreia do Sul seguiram com restrições, aumentando a pressão sobre a oferta.

No Vietnã, a escassez iminente de combustível de aviação pode surgir já em abril, segundo a Autoridade de Aviação Civil. Companhias aéreas vietnamitas consideram aumentar tarifas e reduzir voos. A Austrália, que importa 90% de seu combustível, também enfrenta receios de escassez, apesar das garantias do governo sobre a segurança do abastecimento.

Fonte: O Globo

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