Banco Master: 95% de empréstimos retornaram em aplicações de CDBs
Investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF) apontam que, apesar de o Banco Master ter concedido R$ 1,45 bilhão em empréstimos, a maior parte desses recursos retornou ao banco em forma de aplicações financeiras, principalmente em CDBs do próprio banco, com retornos considerados acima do mercado.
Empréstimos e retorno em CDBs: uma relação de 95%
Segundo levantamento da Procuradoria da República de São Paulo, entre abril e maio de 2024, os fluxos de empréstimos do Banco Master totalizaram R$ 1,45 bilhão, dos quais R$ 1,38 bilhão retornaram através da aquisição de CDBs dos fundos Astralo 95 e Reag Growth 95. Isso representa que 95% dos recursos emprestados voltaram ao banco, indicando uma forte conexão entre as operações de crédito e as aplicações financeiras do próprio banco.
Fundos ligados ao Banco Master e aplicações questionáveis
Entre os fundos de investimento analisados, o Brain Realty, que deveria R$ 459 milhões ao banco, aplicou a maior parte dos recursos em ativos considerados podres. Em contrapartida, os fundos Astralo 95 e Reag Growth 95 tornaram-se credores do Master ao adquirir R$ 450 milhões em CDBs. Essa movimentação chamou atenção pelos altos retornos e pela rápida aplicação dos recursos.
Operação relâmpago e lucros extraordinários
De acordo com reportagem do O Globo, o fundo Brain Cash, criado pela gestora Reag, recebeu R$ 450 milhões em um único dia e, após uma hora e meia, já tinha multiplicado seu patrimônio em cerca de 30 mil vezes. A transação foi registrada no balanço do fundo, que tinha apenas um investidor: uma ex-funcionária da própria Reag.
Após essa aplicação, os valores foram transferidos para o Fundo D Mais, ligado à mesma gestora, que reavaliou ativos considerados sem valor do antigo Banco do Estado de Santa Catarina (Besc), gerando uma rentabilidade de mais de 10 milhões por cento em 2024.
Defesas e esclarecimentos
A defesa de Daniel Vorcaro afirma que está colaborando com as autoridades e que todas as medidas judiciais serão atendidas com transparência. “Vorcaro permanece à disposição para esclarecer os fatos e colaborar com a investigação”, afirmou a equipe de advogados.
Em nota, a Reag destaca que não exerce controle sobre as operações das empresas relacionadas e que os recursos derivam de operações de crédito estruturadas, cujo uso só poderia ocorrer após aprovação técnica e marcos de execução definidos contratualmente.
Perspectivas futuras
As investigações continuam, e o Supremo Tribunal Federal autorizou operação nesta quarta-feira (22). Os próximos passos envolvem a análise detalhada das transações e a responsabilização dos envolvidos, com expectativa de maior esclarecimento sobre o papel do Banco Master e suas operações financeiras.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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