Banco Central decreta liquidação extrajudicial da Reag Investimentos
Nesta quinta-feira (15), o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, antiga Reag Trust DTVM, responsável pela gestão dos fundos da Reag Investimentos. A medida foi justificada pela autoridade monetária por “graves violações às normas que regem as instituições do Sistema Financeiro Nacional (SFN)”.
Desmonte da Reag e o impacto na estrutura do grupo
Em setembro do ano passado, a Reag Capital Holding deixou de ser companhia aberta e saiu da bolsa após investigações da Polícia Federal apontarem o suposto uso da empresa em esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Desde então, houve uma série de mudanças, incluindo a venda do controle para a Arandu Partners por aproximadamente R$ 100 milhões, e a saída de seu fundador, João Carlos Falbo Mansur, que formalizou sua renúncia à presidência do conselho de administração.
Venda do controle e reestruturação societária
Em setembro de 2025, a participação majoritária na Reag foi adquirida por um grupo de executivos da própria gestora, através da Arandu Partners Holding S.A., que assumiu cerca de 87,38% do controle da companhia. A operação, divulgada à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), marcou a saída oficial de Mansur da administração da empresa.
Desde dezembro do ano passado, a Reag opera na bolsa sob o novo ticker ARND3, substituindo o antigo REAG3. A Reag Trust DTVM, posteriormente renomeada para CBSF DTVM, permanecia responsável pela administração dos fundos, sob fiscalização do Banco Central.
Consequências para os investidores e efeitos da liquidação
Segundo Adilson Bolico, sócio do escritório Mortari Bolico Advogados, os cotistas dos fundos administrados pela Reag possuem garantia de segregação patrimonial. “O dinheiro do fundo não se mistura com o da administradora que quebrou. Juridicamente, os credores da Reag/CBSF não podem tocar no dinheiro dos cotistas.”
Ele explicou que o liquidante nomeado pelo BC irá convocar assembleia para transferir esses fundos para outra administradora considerada segura. Até lá, resgates e aplicações estão temporariamente congelados, e o principal risco reside em possíveis fraudes na carteira de ativos, que ainda estão preservados.
Envolvimento com o Banco Master e investigações em andamento
A situação da Reag se complicou ainda mais com seu envolvimento na Operação Compliance Zero, que investiga possíveis fraudes financeiras no Banco Master. As apurações indicam que a gestora atuou em parceria com o banco na estruturação e administração de fundos utilizados em operações atípicas, incluindo circulação de recursos entre fundos e o próprio banco.
A Polícia Federal investiga se esses mecanismos foram usados para inflar resultados, ocultar riscos e manter uma aparente solvência do Banco Master. João Carlos Mansur foi um dos alvos de buscas na operação.
O futuro da gestão dos fundos e o desfecho das investigações
A autoridade monetária destacou que a liquidação visa proteger os investidores e evitar riscos sistêmicos. Os fundos administrados pela CBSF DTVM terão seus ativos transferidos para instituições de gestão sólida, garantindo os direitos dos cotistas. A investigação continua e poderá apontar responsabilidades adicionais no esquema envolvendo a Reag e o Banco Master.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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