França enfrenta moções de censura por acordo UE-Mercosul
A França está diante de duas moções de censura apresentadas por partidos de esquerda radical e direita extrema em meio ao debate sobre o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. A assinatura do tratado, prevista para sábado na União Europeia, tem gerado forte oposição no país, sobretudo entre agricultores e parte do espectro político francês.
Contexto do acordo UE-Mercosul
As negociações que culminarão na criação da maior zona de livre‑comércio do mundo, envolvendo 700 milhões de consumidores, vêm sendo acompanhadas de perto por sua importância econômica e estratégica. Segundo especialistas, o tratado simboliza perseverança de um processo de décadas, com impactos significativos na economia regional.
No entanto, a oposição na França é forte. Os agricultores, apoiados por toda a classe política do país, temem que o aumento das importações de carne, arroz, mel e soja sul-americanos prejudique o setor agrícola francês, enquanto a França ainda tenta proteger seus produtos no mercado europeu. A preocupação leva a um sentimento de insegurança econômica e social.
Reação política na França
Na tentativa de contestar o acordo, partidos de esquerda e direita radical apresentaram moções de censura, alegando que o governo francês não se posicionou adequadamente. Segundo o deputado de extrema-direita Sébastien Chenu, a moção visa apoiar os agricultores e denunciar a ineficácia das ações do governo: “A moção de censura permite apoiar os agricultores e denunciar a hipocrisia e a incompetência do governo nesse assunto”, afirmou à rádio Franceinfo.
Por sua vez, o senador conservador Bruno Retailleau destacou que a decisão de votar as moções é quase inútil. “A moção de censura na França não acrescenta nada. Tudo será decidido no Parlamento Europeu, que ainda precisa se pronunciar”, afirmou.
Perspectivas e impacto
Apesar do momento de fragilidade do governo de Emmanuel Macron, as chances de que as moções prosperem são baixas. Os principais partidos de oposição, como os socialistas e Os Republicanos, já anunciaram que não apoiarão as iniciativas, o que inviabiliza a maioria necessária no Parlamento francês.
Contudo, a discussão revela um underlying conflito político e social sobre o peso do acordo na economia francesa, especialmente entre os setores mais vulneráveis. A assinatura oficial do tratado está prevista para sábado, quando Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, deverá assinar o documento com os países do Mercosul na Argentina, consolidando a maior zona de livre comércio do mundo.
Para setores econômicos franceses, o acordo simboliza perseverança de um longo processo de negociações, embora continue a gerar debates acalorados sobre seus impactos ambientais, sociais e econômicos.
Fonte: O Globo
Com informações do Jornal Diário do Povo
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