Bancos centrais apoiam independência do Fed em meio a pressões de Trump

Um poderoso grupo de bancos centrais de diversas nações manifestou, nesta terça-feira (13), apoio explícito à autonomia do Federal Reserve e ao presidente Jerome Powell, em uma resposta inédita às pressões do governo dos Estados Unidos, liderado pelo ex-presidente Donald Trump. A declaração conjunta reforça a importância da independência na manutenção da estabilidade econômica mundial.

Reação global à ameaça à independência do Fed

O comunicado, assinado por dirigentes do Fed, Banco Central Europeu, Banco da França, Banco do Canadá, Banco da Suécia, Suíça, Austrália, Coreia do Sul e outros, destacou que “a independência dos bancos centrais é um pilar fundamental da estabilidade de preços, financeira e econômica, no interesse dos cidadãos”. O documento também conta com a assinatura do Banco de Compensações Internacionais (BIS).

“Estamos em plena solidariedade com o Sistema do Federal Reserve e com seu presidente, Jerome Powell”, afirmou o texto. “A atuação do presidente Powell tem sido íntegra, focada em seu mandato e comprometida com o interesse público. Para nós, ele é um colega respeitado, que goza da mais elevada consideração de todos que trabalharam com ele.”

Contexto de ataques políticos e defesa da autonomia

Nos últimos dias, Powell adotou um tom mais combativo, acusando Trump de tentar influenciar a política monetária após críticas às altas taxas de juros. Em entrevista, Powell afirmou que “a ameaça de acusações criminais é uma consequência de o Fed definir as taxas com base na melhor avaliação do que atende ao interesse público, e não às preferências políticas”.

Certamente, as manifestações internacionais representam uma preocupação em relação às ações do governo americano, que desde 2019 tem pressionado o banco central a reduzir os juros, incluindo críticas públicas por parte de Trump. Os signatários alertaram que “o esforço coordenado para deslegitimar a autonomia do Fed é uma situação de emergência que ameaça a estabilidade global”.

Interferências e ameaças judiciais ao Fed

Recentemente, o Federal Reserve recebeu intimações de um grande júri do Departamento de Justiça dos EUA — uma iniciativa relacionada ao depoimento de Powell em junho, sobre reformas na sede do Fed. Powell declarou que “essa medida deve ser vista no contexto mais amplo de ameaças e pressões contínuas do governo”.

Ex-presidentes do Fed, incluindo Alan Greenspan, Ben Bernanke e Janet Yellen, também apoiaram Powell, condenando a investigação criminal como “uma tentativa sem precedentes de usar ataques judiciais para minar a independência do banco central”.

Reações internacionais e fortalecimento da confiança

O presidente do Banco da França, François Villeroy de Galhau, alertou que uma possível queda do dólar, caso a independência do Fed seja questionada, poderia prejudicar o sistema financeiro global, reduzindo a inflação na zona do euro e enfraquecendo as exportações para os Estados Unidos. O presidente do Banco Central do Canadá, Tiff Macklem, expressou “apoio total” a Powell, afirmando que ele “representa o melhor do serviço público”.

Por sua vez, dirigentes do Banco Central Europeu e do Bundesbank reforçam a importância de manter a autonomia monetária como condição para a estabilidade de preços. “A independência dos bancos centrais é um pré-requisito para a estabilidade de preços e um ativo valioso”, afirmou Joachim Nagel, presidente do Bundesbank, nesta semana.

Perspectivas futuras diante de tensões políticas

Especialistas e líderes financeiros indicam que os acontecimentos nos Estados Unidos evidenciam uma crise de confiança que pode afetar a política monetária global. O apoio internacional ao Fed e a Powell visa fortalecer a imagem de uma instituição independente, essencial para a estabilidade econômica mundial, diante de ameaças e ataques políticos intensificados.

O episódio também reforça o debate sobre o papel da autonomia de bancos centrais em um cenário de crescente polarização política e pressão por parte de governos por controle sobre as políticas econômicas, levantando desafios para a governança global.

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Com informações do Jornal Diário do Povo

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