Powell denuncia ameaças de Trump e alerta sobre limites da independência do FED
O presidente do Federal Reserve (FED), Jerome Powell, denunciou nesta segunda-feira (12) que o governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, utilizou ameaças de processos criminais para tentar influenciar a política de juros da instituição. A situação acende o debate sobre a independência do Banco Central americano e os riscos de influências externas sobre suas decisões.
Crise de confiança e pressões políticas sobre o FED
Powell afirmou que, na semana passada, foi notificado pelo Departamento de Justiça com uma intimação do grande júri e uma ameaça de denúncia criminal, relacionadas a um projeto de reforma de US$ 2,5 bilhões (cerca de R$ 13 bilhões). Segundo ele, as acusações não têm relação com as obras, mas parecem ser uma tentativa de pressionar a instituição a adotar cortes de juros alinhados às preferências do governo.
“Ninguém, certamente não o presidente do Federal Reserve, está acima da lei”, declarou Powell, destacando que continuará a exercer suas funções com integridade e firmeza, mesmo diante de ameaças judiciais. Ele ressaltou que a sua atuação é baseada em análises técnicas e na melhor avaliação dos dados econômicos.
Reações do mercado e da comunidade internacional
A ameaça de inquérito causou uma alta nas taxas dos títulos do Tesouro americano de longo prazo, refletindo o medo de uma intervenção política que comprometa a independência do FED e prejudique a credibilidade da política monetária do país, segundo analistas ouvidos pela Reuters.
Além disso, ex-presidentes do FED, como Janet Yellen, Ben Bernanke e Alan Greenspan, uniram-se a líderes de política econômica de diferentes espectros políticos para alertar sobre os riscos dessa interferência. “É assim que a política monetária é feita em mercados emergentes com instituições frágeis, com consequências altamente negativas para a inflação e o funcionamento da economia”, afirmaram em nota divulgada nesta segunda-feira.
Internacionalmente, dirigentes de outros bancos centrais, incluindo os presidentes do Banco Central francês e do Banco do Canadá, também manifestaram apoio a Powell e defenderam a preservação da autonomia das instituições monetárias diante de pressões políticas externas.
Perspectivas futuras e impactos na política econômica
O episódio evidencia a forte tensão entre o Executivo americano e o Banco Central na condução da política monetária, especialmente em um momento de debates sobre juros, controle da inflação e estímulo econômico. Especialistas indicam que a tentativa de influenciar decisivamente o FED pode gerar instabilidade financeira e desconfiança nos mercados internacionais.
Em resposta, o próprio Powell reforçou seu compromisso de agir com transparência e autonomia, essenciais para a estabilidade econômica dos Estados Unidos. O episódio também reacende o debate sobre a necessidade de fortalecer mecanismos que garantam a independência dos bancos centrais frente a pressões políticas, sobretudo em contextos de alta polarização.
Para acompanhar os desdobramentos, o mercado continuará atento às declarações do FED e às possíveis medidas do governo que possam impactar a política de juros e a economia americana no curto e médio prazo.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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