Greenwashing nos preparativos para a COP30 em Belém

Belém, capital do Pará, foi confirmada como sede da COP30 para 2025, mas os preparativos demonstram uma clara contradição entre discurso e prática ambiental. Enquanto gestores alegam ações sustentáveis, obras recentes evidenciam uma estratégia de greenwashing, ou seja, uma tentativa de criar uma imagem de responsabilidade ambiental sem mudanças efetivas.

Desigualdade, problemas urbanos e obras controversas

Com mais de 1,3 milhão de habitantes, Belém enfrenta desigualdades profundas e problemas urbanos, incluindo saneamento básico deficiente, baixa arborização e aumento de temperatura. Apesar disso, a cidade tem sido palco de obras de infraestrutura decididas por elites políticas sem ampla participação social, muitas voltadas para atrair turistas ou favorecer interesses empresariais.

Segundo o professor Bruno Vieira, da Universidade Federal do Pará, essas obras, como a duplicação da Rua da Marinha e a construção da Avenida Liberdade, promovem remoção de árvores, perda de biodiversidade e risco ao manancial de água local, contrariando as metas de redução de emissões e proteção ambiental previstas na agenda climática global.

Greenwashing e discursos vazios

A estratégia de greenwashing se manifesta na tentativa de projetar uma imagem de sustentabilidade que não condiz com as ações concretas do governo estadual e municipal. A afirmação do governador Helder Barbalho de que Belém atua de modo sustentável, por exemplo, contrasta com obras que promovem a urbanização de áreas de proteção ambiental e privilegiam interesses econômicos.

As obras dos parques lineares na Nova Doca e na Avenida Tamandaré, por exemplo, são realizadas em bairros de alto valor imobiliário, longe das áreas mais vulneráveis da cidade, onde pouco ou nenhum investimento sustentável foi feito. Segundo Vieira, essa lógica reforça a desigualdade intraurbana e não contribui para a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.

Preparativos e possíveis impactos para a COP30

O evento, que deve reunir líderes mundiais, serve de palco para uma narrativa de sustentabilidade que esconde uma realidade de degradação ambiental e desigualdade social. As ações urbanísticas feitas até agora parecem mais visando o “urban marketing” do que um compromisso sério com a agenda climática, deixando de lado a adaptação e mitigação necessárias frente às mudanças do clima.

Para Bruno Vieira, a realização da COP30 em Belém reafirma a necessidade de uma discussão mais transparente e participativa sobre os verdadeiros desafios ambientais da cidade e do planeta. O momento exige ações concretas de proteção ambiental, urbanismo sustentável e inclusão social, que estão longe de ser prioridade no atual planejamento urbano.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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