União Europeia aprova acordo comercial com o Mercosul
A União Europeia deu sinal verde ao acordo comercial com o Mercosul, abrindo caminho para a assinatura oficial na manhã de 17 de janeiro, no Paraguai. O tratado, que visa criar a maior zona de livre comércio do mundo, foi costurado ao longo de mais de duas décadas e promete ganhos assimétricos entre os setores econômicos, beneficiando principalmente o agricultura e a indústria europeia.
Quem ganha e quem perde com o acordo?
Dados da Secretaria de Comércio Exterior indicam que, em 2025, as exportações brasileiras para a UE atingiram US$ 49,8 bilhões, enquanto as importações totalizaram US$ 50,3 bilhões. O impacto na balança comercial será gradual, com benefícios mais expressivos para o setor agrícola e industrial. Veja o que pode ficar mais barato para o brasileiro.
Enquanto o setor europeu deve ampliar suas exportações em até € 84 bilhões, gerando aproximadamente 756 mil empregos, o agronegócio sul-americano também aparece como grande beneficiado. Segundo o professor Leandro Gilio, do Insper, o bloco deve ver aumentos de 2% a 7% no comércio total, especialmente em carnes, etanol e açúcar.
Impactos na indústria e na agricultura
O setor industrial europeu tende a colher os maiores ganhos, sobretudo na indústria automotiva, química e farmacêutica. A Comissão Europeia estima que o acordo pode reduzir tarifas de importação sobre itens como queijos, vinhos e bebidas destiladas, atualmente de até 35%, fortalecendo a competitividade do bloco no mercado global. Segundo Hildegard Müller, presidente da associação alemã VDA, a perspectiva é de crescimento entre 10% e 15% nas exportações de veículos e autopeças.
Na agricultura, Brasil e demais países do Mercosul deverão ganhar destaque, apesar de resistência na França, com os sindicatos agrícolas manifestando forte oposição. O acordo estabelece cotas específicas para carnes, como 25 mil toneladas anuais de carne suína com tarifa preferencial, além de cotas para ovos processados e albuminas, que potencializam as exportações de maior valor agregado.
Desafios e limitações
Leandro Gilio alerta que, embora as cotas favoreçam o aumento das exportações, elas ainda são bastante restritivas. Produtos mais tradicionais do Brasil, como carne de frango, estarão sujeitos a contingentes tarifários adicionais ao longo de seis anos, e os produtos europeus enfrentam menos limitações, o que pode favorecer o bloco europeu a longo prazo.
Lia Valls, pesquisadora da FGV Ibre, lembra que o cronograma de implementação do acordo é mais lento no Brasil, sobretudo em setores sensíveis como o automotivo, incluindo veículos elétricos. Segundo ela, os efeitos práticos para o consumidor brasileiro serão percebidos apenas no longo prazo, com prazos que podem chegar a 10 ou até 30 anos após a assinatura.
Perspectivas futuras
Apesar de as mudanças serem graduais, a assinatura do acordo simboliza uma postura positiva frente ao cenário protecionista global. O Brasil espera que o tratado entre em vigor ainda neste ano, o que poderá abrir oportunidades de crescimento econômico, especialmente no setor agrícola, que é altamente competitivo na região.
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Com informações do Jornal Diário do Povo
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