Inflação encerra 2025 dentro da meta pela primeira vez no pós-pandemia

O Brasil registrou, pela primeira vez no pós-pandemia, o encerramento do ano com a inflação dentro do intervalo da meta estabelecida pelo Banco Central. O IPCA de 2025 fechou em 4,26%, a menor taxa desde 2019 e a quinta maior da série histórica, resultado impulsionado pela valorização do real, redução nos preços dos alimentos e a política de juros elevados adotada pelo BC para conter o surto inflacionário.

Aliados contra a inflação: dólar e alimentos

Segundo especialistas, os principais fatores que contribuíram para esse resultado foram a forte valorização do dólar, que saiu de uma previsão de R$ 7,00 para cerca de R$ 5,40, e a desaceleração nos preços de alimentos, que tiveram a maior queda entre os itens do índice de preços em 2025. “As cinco maiores quedas estão todas relacionadas à alimentação, beneficiadas pelo câmbio favorável e pelo fim do ciclo climático adverso”, explicou Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime.

Ela acrescenta que o aumento dos preços em serviços, entretanto, continuará a ser um desafio para o próximo ano: “Este será o grande obstáculo de 2026”, afirmou Kawauti. Os preços de serviço tendem a subir mais do que em 2025, mantendo uma certa pressão inflacionária.

Volatilidade da inflação e peso dos alimentos

De acordo com André Braz, coordenador dos índices de preços do FGV Ibre, a forte participação do grupo alimentação no IPCA — que representa quase 20%, contra 7,5% em outros índices internacionais — torna a inflação brasileira mais volátil. Ele explica que, desde 2020, a alimentação subiu cerca de 55%, enquanto o IPCA acumulou alta de 35%.

“No Brasil, qualquer aumento neste grupo causa um impacto maior na inflação geral, especialmente em um país de desigualdades sociais, onde muitos brasileiros possuem renda baixa”, analisou Braz. No ano passado, a alimentação fechou com alta de 2,95%, abaixo da meta de 3%, possibilitando uma queda no índice geral.

Perspectivas para 2026

A previsão é de que os preços de alimentos voltem a subir em 2026, mas dentro do intervalo de tolerância de até 4,5%. Expectativas apontam para uma inflação próxima de 3,8%, de acordo com o Bradesco. “Ainda há muita incerteza, pois a inflação brasileira é altamente volátil, principalmente por causa dos preços de alimentos”, advertiu Braz.

O economista do FGV Ibre ressalta que, apesar da desaceleração, questões relacionadas a serviços e preços monitorados deverão manter a inflação acima do teto até o fim de 2026.

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Com informações do Jornal Diário do Povo

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