Acordo Mercosul-UE pode baratear vinhos e ampliar chocolates premium no Brasil
O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, aprovado provisoriamente pelos países europeus nesta sexta-feira (9), tem potencial para diminuir os preços de vinhos europeus e ampliar a oferta de chocolates premium no Brasil a longo prazo, avaliam especialistas. Ainda há etapas formais que precisam ser concluídas para que o tratado entre em vigor.
Impactos no mercado de vinhos europeus e chocolates
Com a redução das tarifas de importação, o consumidor brasileiro poderá acessar vinhos europeus com preços mais competitivos e uma maior variedade de rótulos, principalmente após a entrada em vigor do acordo, que pode levar até 12 anos para zerar as tarifas, dependendo do produto. Atualmente, os países do Mercosul – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai – pagam 27% de impostos para importar vinhos da Europa, valor que deverá chegar a zero após o período de transição.
O mesmo vale para os chocolates, com uma diminuição gradual das tarifas, que hoje estão em 20%. Em até 15 anos, parte dos produtos deverá ter tarifa zero, beneficiando marcas europeias de alto padrão que hoje não têm presença no Brasil, segundo especialistas. Além disso, o acordo prevê a isenção de tarifa para azeites de oliva importados da União Europeia, embora, desde março de 2023, o Brasil já tenha eliminado esse imposto.
Vinhos europeus podem ficar mais acessíveis
Por que o vinho europeu pode baratear? Países do continente como Itália, França e Espanha lideram a produção mundial de vinhos, oferecendo rótulos de alta qualidade por valores acessíveis na Europa. No Brasil, a alta tarifa de importação desestimula a compra desses vinhos, já que o imposto acaba elevando o preço final ao consumidor.
Segundo Roberto Kanter, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), a redução gradual das tarifas deve estimular as empresas brasileiras a diversificar suas compras de vinhos europeus de menor custo. “O consumidor brasileiro passará a ter acesso a uma oferta maior de vinhos de qualidade média, a preços bastante competitivos, mais do que os disponíveis atualmente”, afirma.
Embora a redução de preços não seja imediata, ela deve ocorrer ao longo do tempo, promovendo uma tendência de crescimento nas importações de vinhos europeus no Brasil. Atualmente, muitos consumidores optam por vinhos chilenos e argentinos, cujo custo é menores devido ao maior volume de produção na América do Sul.
Chocolates premium também podem chegar ao Brasil com tarifas menores
Para os chocolates, a redução do imposto de importação possibilitará a entrada de marcas de alto padrão que hoje atuam principalmente no segmento de luxo, como Lindt e Godiva, aumentando a competitividade dessas marcas no Brasil. Ainda assim, os preços desses produtos continuarão elevados, pois representam itens de consumo de classe A.
Segundo Kanter, o impacto imediato será no aumento do acesso a chocolates europeus de alta qualidade, permitindo que marcas premium expandam suas lojas e pontos de venda em cidades menores. Contudo, o preço de chocolates de marcas renomadas deve permanecer elevado devido ao posicionamento de mercado e ao valor agregado dos produtos importados de alta gama.
Perspectivas e desafios futuros
Apesar do potencial de ampliar o acesso a vinhos e chocolates de qualidade, o impacto só será totalmente percebido após a efetiva implementação do acordo, cujo prazo de zeramento das tarifas pode chegar a mais de uma década. Os produtores brasileiros, concentrados principalmente no Rio Grande do Sul para vinhos e na produção de cacau para chocolates, terão tempo para se adaptar à nova realidade de mercado.
O entendimento de que a maior oferta de produtos estrangeiros pode estimular o crescimento do setor e gerar mais empregos reforça a importância do acordo para a economia brasileira, conforme análise de Marcos Troyjo, ex-presidente do Conselho Monetário Nacional. “Aumenta o número de fornecedores, de rótulos e de vagas de emprego na cadeia de produção e serviços relacionados”, comentou Troyjo.
O tema ainda depende de formalizações finais pelos países da UE até às 17h (horário de Bruxelas), mas a expectativa é que, com a sua entrada em vigor, o mercado de vinhos e chocolates na Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai viva uma nova fase de competitividade e diversidade, beneficiando principalmente os consumidores de classes A e B.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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