Acordo Mercosul-UE ainda não é definitivo, avaliem avanços e obstáculos
Após mais de 25 anos de negociações, o Conselho da União Europeia concordou nesta sexta-feira (9) em concluir um acordo de livre comércio com os países do Mercosul. A medida, entretanto, ainda depende da aprovação do Parlamento Europeu, que pode solicitar uma análise do Tribunal de Justiça da UE, atrasando o processo.
Avanços e condições para assinatura do acordo
Durante reunião em Bruxelas, representantes dos 27 países da UE aprovaram a assinatura do acordo, que deve ser a maior zona de livre comércio do mundo, com mais de 700 milhões de habitantes, segundo a Comissão Europeia. A assinatura, inicialmente prevista para dezembro no Brasil, foi adiada devido à resistência de alguns países, como Itália, França e Polônia.
O acordo foi viabilizado com concessões a interesses agrícolas, especialmente às preocupações de produtores europeus diante da competição com produtos sul-americanos, como carne bovina, que pode ser produzida a custos menores na região. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, estaria autorizada a assinar o tratado, mas aguardava confirmação oficial da data.
Desafios políticos e resistência na União Europeia
O italiano, francês e polonês continuam a opor-se ao pacto em sua forma atual, o que impede uma maioria qualificada necessária para a ratificação. A França, por exemplo, citou uma “rejeição unânime” da classe política, refletindo o temor de prejudicar a agricultura local.
O retorno de Donald Trump ao comando dos Estados Unidos reforça a estratégia da UE de buscar novos parceiros comerciais, apesar da resistência interna. A viagem de Ursula von der Leyen ao Paraguai, inicialmente agendada para esta semana, ainda não foi confirmada oficialmente.
Histórico de negociações e críticas ao acordo
Desde 1999, a Comissão Europeia tenta criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, envolvendo Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Contudo, divergências, principalmente na questão agrícola, têm dificultado a assinatura definitiva.
Críticos alertam que o acordo pode prejudicar a agricultura europeia ao facilitar a entrada de produtos mais baratos, como carne bovina, aves, açúcar e soja, com cotas livres de imposto, o que poderia ameaçar normas ambientais e de segurança sanitária da UE.
Reação dos setores agrícolas e instabilidade política
Na Europa, agricultores de países como Bélgica, Grécia e França protestam contra o tratado, reivindicando mais proteção. Recentemente, bloqueios de estradas e manifestações, inclusive com tratores em Paris, demonstraram a insatisfação com o impacto do acordo.
Em meio a instabilidade política na França, Emmanuel Macron expressou sua rejeição ao tratado em sua forma atual, evidenciando o clima de hesitação, enquanto a ultradireita brasileira tentou usar o tema em suas agendas, apesar de pouco êxito na mobilização parlamentar.
O avanço do acordo depende ainda de futuros passos, incluindo a confirmação oficial da assinatura e a ratificação definitiva, o que pode levar meses ou anos devido às questões jurídicas e políticas em curso.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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