Venezuela e Brasil: relações comerciais em cenário de retração
A Venezuela, que há mais de duas décadas foi o sexto maior parceiro comercial do Brasil, hoje representa apenas 0,24% das vendas brasileiras ao exterior, ocupando a 52ª posição no ranking de compradores. Diversos fatores, como a retração da economia venezuelana, a perda do poder aquisitivo da população e bloqueios econômicos, contribuíram para essa diminuição, que também foi agravada por questões políticas.
Desafios e cenário atual do comércio bilateral
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) indicam que as exportações brasileiras para a Venezuela em 2025 totalizaram US$ 838,2 milhões, uma queda de 30% em relação ao ano anterior. As importações de produtos venezuelanos recuaram 17,3%, chegando a US$ 349,1 milhões no mesmo período. Atualmente, o Brasil limita-se a vender açúcar, arroz e farinha, tendo retirado de sua pauta produtos de maior valor, como carne e veículos.
Impactos da crise econômica na Venezuela
A diminuição da produção de petróleo — que caiu de mais de 3 milhões para cerca de 900 mil barris diários — e a escassez de divisas em dólares são problemas centrais enfrentados pelo país. Segundo especialistas, a falta de recursos em dólares, cuja reserva deve chegar a apenas US$ 13 bilhões ao final de 2025, dificulta as transações comerciais, pois as empresas brasileiras vendem com pagamento antecipado e com restrições.
Além disso, sanções econômicas dos Estados Unidos e a expropriação de empresas americanas criaram um ambiente de insegurança jurídica, afastando investidores estrangeiros. “A crise política e a deterioração institucional reduzem a confiança e a previsibilidade jurídica, afetando a demanda e o pagamento de compromissos comerciais”, explica Gerson Brilhante, analista da Levante Inside Corp.
Perspectivas futuras para a relação comercial
Especialistas avaliam que, no curto prazo, o cenário permanece nebuloso após a prisão de Nicolás Maduro por forças militares dos EUA. Entretanto, a médio prazo, se a Venezuela retomar a estabilidade democrática e suas reservas de petróleo crescerem, o país pode ressurgir como um importante parceiro comercial do Brasil, atingindo patamares próximos aos US$ 5 bilhões registrados em 2007, pico da série histórica.
Possíveis fatores de recuperação
Para isso, será essencial a recuperação da produção de petróleo, bem como a implementação de reformas econômicas que promovam a atração de capitais estrangeiros. “A recuperação da produção e uma política de segurança jurídica são condições essenciais para restabelecer a capacidade de importação e gerar demanda por produtos brasileiros”, afirma Brilhante.
Outro fator determinante é o retorno à normalidade política e institucional, que poderia possibilitar a Venezuela reincorporar-se ao Mercosul, trazendo benefícios como custos menores de petróleo e maior integração regional.
Desafios logísticos e políticos
As dificuldades logísticas, como as malhas de infraestrutura precárias na fronteira, e a insegurança jurídica gerada por expropriações e sanções, continuam sendo obstáculos. A contínua hiperinflação e a crise de confiança na moeda venezuelana também restringem o comércio.
Segundo dados da plataforma Ceic Data, as reservas internacionais de dólares chegam a níveis muito baixos, o que limita ainda mais o potencial de negociações e investimentos.
Contexto político internacional
Nesta semana, o presidente Donald Trump afirmou que a Venezuela comprará apenas produtos dos Estados Unidos com o dinheiro da venda de petróleo, incluindo itens agrícolas, medicamentos e equipamentos para infraestrutura. Essa postura reforça o isolamento econômico do país.
Apesar do cenário desafiador, o professor de relações internacionais da ESPM, Roberto Uebel, destaca que, se houver estabilidade política e segurança jurídica, a relação comercial pode voltar a crescer significativamente, beneficiando ambos os países.
Para conferir a análise completa sobre o estado atual das relações entre Brasil e Venezuela, acesse o artigo da Globo Economia.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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