Itália busca faixa de salvaguarda mais rigorosa no acordo Mercosul

A Itália quer estabelecer um gatilho de salvaguarda mais rigoroso no âmbito do acordo comercial com o Mercosul. Em entrevista ao jornal italiano Il Sole 24 Ore, o ministro da Agricultura, Francesco Lollobrigida, afirmou que o governo italiano está pressionando para reduzir o limite a partir do qual as cláusulas de salvaguarda seriam acionadas, propondo uma redução para 5%. A iniciativa ocorre em um momento de tensão nas negociações, com a decisão final podendo impactar o futuro do pacto.

Oposição e resistência na União Europeia

Enquanto a Itália impulsiona essa mudança, alguns países da União Europeia continuam contrários ao acordo. Segundo informações do O Globo, a Irlanda votará contra o tratado, o que reforça a resistência na Europa. Além disso, agricultores franceses protestam contra o pacto, com tratores em frente à Torre Eiffel e ao Arco do Triunfo, em Paris, demonstrando forte oposição ao acordo com o Mercosul.

Normas de salvaguarda na União Europeia

O limite de 5% já era uma demanda da União Europeia, além de ter sido aprovado em dezembro pelo Parlamento Europeu. Nesse novo marco, a Comissão Europeia pode intervir se o preço de uma mercadoria do Mercosul for pelo menos 5% inferior ao preço na UE, e se o volume de importações sem tarifa aumentar mais de 5%. A proposta inicial previa limites de 10%, mas essa exigência foi reforçada na votação.

Instrumentos de controle e investigação

Segundo a proposta apresentada em setembro pela Comissão Europeia, uma investigação seria instaurada em três condições: se os preços de importação do Mercosul forem pelo menos 10% mais baixos; se houver aumento superior a 10% no volume de importações sob condições preferenciais; ou uma redução de 10% nos preços de importação em relação ao ano anterior. Essas medidas visam garantir maior proteção ao mercado europeu frente às importações do bloco sul-americano.

Perspectivas e próximos passos

Está previsto que o Conselho da UE vote nesta sexta-feira a aprovação do acordo, mesmo diante da oposição de alguns Estados-membros. Caso seja aprovado, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá assinar o tratado na semana seguinte, consolidando um passo importante na relação comercial entre os blocos. Na Itália, o ministro Lollobrigida destacou que a diplomacia italiana realiza verificações finais após garantir que produtos agrícolas importados cumpram as mesmas normas europeias, buscando equilíbrio entre segurança alimentar e interesses comerciais. Fonte

Com informações do Jornal Diário do Povo

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