Irlanda votará contra acordo comercial UE-Mercosul nesta sexta-feira

A Irlanda confirmou que votará contra o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul na reunião de Friday da Comissão Europeia, nesta sexta-feira (12). A decisão do vice-primeiro-ministro Simon Harris reflete a oposição de vários países ao tratado, incluindo França, Hungria e Polônia, embora a avaliação seja de que o veto não deverá impedir a aprovação do acordo.

Oposição de Irlanda, França e outros países ao acordo UE-Mercosul

De acordo com Harris, a posição do governo irlandês foi clara: “Não apoiamos o acordo da forma como foi apresentado. Votaremos contra”, afirmou em comunicado oficial. A resistência do país ocorre em meio a preocupações com a segurança e o impacto ambiental, especialmente no setor agrícola.

França, por sua vez, limitou as importações agrícolas em resposta à indignação de produtores rurais, que protestam contra o impacto potencial de uma entrada maciça de produtos sul-americanos, como carne, arroz e soja, vindos do Mercosul. Agricultores franceses chegaram a protestar com tratores em frente à Torre Eiffel e ao Arco do Triunfo, demonstrando o descontentamento com o tratado.

Perspectivas para a aprovação do acordo na UE

Mesmo com a oposição de alguns Estados-membros, o Conselho da UE deve aprovar o acordo comercial nesta sexta-feira, permitindo que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assine o tratado na próxima semana. A maioria dos 27 países da União deverá votar a favor, apesar das reservas de alguns governos.

Recentemente, a UE ofereceu incentivos adicionais para tranquilizar os produtores rurais europeus. Uma reunião entre ministros de Agricultura do bloco, realizada ontem, foi decisiva para apaziguar os protestos. Como parte das concessões, cerca de € 45 bilhões em subsídios do próximo Orçamento da UE serão antecipados, especialmente para beneficiar agricultores do continente, incluindo a Itália, que obteve importantes concessões após sua posição inicial de oposição.

Impactos e desafios do tratado UE-Mercosul

O acordo criaria a maior área de livre comércio do mundo, mas enfrenta resistência dos setores agrícolas na Europa, preocupados com a competitividade diante de produtos sul-americanos. Entre as maiores dúvidas estão os possíveis efeitos na exportação de carne, arroz, mel e soja.

Especialistas indicam que o apoio da Itália, aliado a uma pressão geopolítica crescente, pode ser decisivo para finalização das negociações. “A assinatura do acordo depende de concessões que ainda estão sendo ajustadas, mas a aprovação nesta sexta-feira mantém o tratado vivo”, avalia Roberto Santos, analista do setor de comércio internacional.

O vice-primeiro-ministro Harris também destacou que o governo irlandês fez concessões nas negociações, mas que elas ainda não são suficientes para atender às preocupações da população local. “Infelizmente, o resultado dessas negociações é que, embora a UE tenha concordado com uma série de medidas adicionais, elas não satisfazem completamente nossos cidadãos”, afirmou Harris.

Próximos passos e possíveis dificuldades

Apesar da divisão entre os Estados-membros, a expectativa é de que o acordo seja aprovado na sexta-feira, com assinatura prevista para a semana seguinte. Contudo, a resistência de alguns países pode continuar a influenciar futuras negociações e a implementação do tratado, especialmente diante das reações contrárias de setores agrícolas na Europa.

Para mais detalhes sobre o andamento das negociações, acesse Fonte original.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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