Ex-diretor do Banco Central critica atuação do TCU no caso Master

O ex-diretor de Política Monetária do Banco Central, Reinaldo Le Grazie, afirmou que há um cerceamento à autoridade do órgão no caso do Banco Master, após a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de determinar uma inspeção nos documentos do BC relacionados à liquidação do banco. A intervenção ocorre em um momento de forte tensão entre o órgão fiscalizador e a autoridade monetária.

Reação à inspeção do TCU e sua legitimidade

Na segunda-feira, o ministro do TCU Jhonatan de Jesus decidiu pelo início de uma inspeção nos registros do Banco Central referentes à liquidação do Banco Master, gerando críticas de instituições financeiras e do próprio setor econômico. Segundo Le Grazie, a atuação do TCU representa uma tentativa de limitar a autonomia do BC, que é especializada na análise de liquidações e possui dados confidenciais.

“Quem entende de liquidação é o BC, que tem os dados. O TCU, mesmo que venha a ter acesso, não vai conseguir entender com clareza o que aconteceu”, afirmou Le Grazie. Ele destacou ainda que os Tribunais de Contas buscam expandir suas competências há algum tempo, o que, na prática, resulta em restrição às ações do órgão regulador.

Contexto institucional e apoio ao Banco Central

Le Grazie ressaltou que o Banco Central vem agindo de forma isolada nesta operação, sem respaldo explícito do governo, que não tem se manifestado publicamente a favor do órgão regulador. A participação do governo na discussão foi limitada às associações, que, segundo ele, “não têm cara”.

“O apoio ficou a cargo das associações, o que é insosso, porque elas não representam os interesses do Estado de forma direta”, afirmou o ex-diretor. Ele também destacou que a possibilidade de o TCU reverter sua decisão é remota, reforçando a confiança de que o BC continuará cumprindo seu papel técnico.

Impacto na credibilidade e na economia

Le Grazie acredita que um possível cerceamento por parte do TCU pode afetar a credibilidade do Banco Central, essencial para a eficácia da política monetária. “Se o regulador é fraco, o sistema também fica vulnerável”, observa. Segundo ele, a credibilidade do BC é fundamental para transmitir confiança ao mercado, controlar a inflação e orientar juros.

Quanto ao impacto direto na economia, o ex-diretor afirma que a liquidação do Banco Master, uma instituição sem capacidade financeira de se reerguer, provavelmente não será revertida. “Não se ressuscita um banco; é tão descabido falar nisso”, concluiu Le Grazie, reforçando que a decisão de liquidação deve permanecer vigente.

O futuro do caso e perspectivas

Le Grazie acredita que o episódio pode marcar um paralelo na relação entre o governo e o Banco Central, destacando que o órgão de Estado, responsável pela estabilidade financeira, deve atuar com autonomia e independência. “O BC é um órgão de Estado, não de governo, e essa distinção precisa ser preservada”, afirmou.

O episódio evidencia o clima de tensão em torno da atuação do BC e a disputa por poder entre diferentes órgãos de controle e fiscalização. A expectativa é de que a situação se stabilize, mas o impacto na credibilidade do órgão regulador e na relação com o governo permanece como um fator de preocupação.

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Com informações do Jornal Diário do Povo

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