Refinarias chinesas buscam petróleo canadense após sanções na Venezuela

As refinarias chinesas, que tiveram seu acesso ao petróleo venezuelano praticamente cortado na última semana devido às sanções americanas, estão intensificando a busca por uma fonte alternativa mais cara: o petróleo do Canadá. Essa mudança ocorre em meio ao fortalecimento das ações dos Estados Unidos contra a Venezuela e à tentativa de manter o abastecimento de petróleo para o mercado chinês.

China amplia consultas por petróleo canadense após sanções na Venezuela

Segundo operadores do mercado, as consultas chinesas por petróleo canadense aumentaram desde a captura do presidente Nicolás Maduro, no fim de semana passado. As refinarias consideram os tipos de petróleo do Canadá como boas alternativas ao petróleo pesado e ácido da Venezuela, conhecido como Merey. A procura por cargas do Canadá foi reforçada após o endurecimento das sanções dos EUA ao país sul-americano.

Operadores chineses procuram novos fornecedores

Embora não tenham sido divulgados nomes específicos, fontes do setor afirmaram que empresas como Shandong Chambroad Petrochemicals, Shandong Dongming Petroleum & Chemical Group e Sinochem Hongrun Petrochemical já começaram a buscar fornecedores alternativos. Esses compradores, habituados às cargas venezuelanas, precisarão fazer novas negociações e encontrar novas opções no mercado internacional.

Petróleo venezuelano: qualidade similar ao canadense

O petróleo venezuelano caracteriza-se como pesado e ácido, com alto teor de enxofre — características que se assemelham ao petróleo das areias betuminosas do Canadá. Essas qualidades tornam o petróleo venezuelano especialmente atraente para países em desenvolvimento, como a China, que utilizam derivados como o betume na sua economia.

Oferta venezuelana em queda e alternativas de curto prazo

Hoje, cerca de 22 milhões de barris de petróleo venezuelano estão armazenados em navios próximos à Malásia e China, formando uma reserva de uso imediato. Contudo, essa quantidade deve atender à demanda chinesa por cerca de dois meses. A partir do segundo trimestre, os operadores preverem uma intensificação na procura de petróleo canadense ou outras alternativas.

Desafios e diferenças de preço entre Canadá e Venezuela

O petróleo do Canadá, responsável por cerca de 40% das exportações marítimas do país em 2025, é mais caro do que o venezuelano — atualmente, a diferença de preço é de aproximadamente US$ 8 a US$ 9 por barril. O carregamento canadense, que leva cerca de 17 dias para chegar a Qingdao, na China, oferece maior flexibilidade logística, já que a viagem é significativamente menor do que a do petróleo venezuelano, que atravessa 57 dias até o destino.

Expansão do petróleo canadense na Ásia

O aumento nos fluxos de petróleo canadense para a China ocorreu após a expansão do oleoduto Trans Mountain em 2024, o que possibilitou maior envio de petróleo para as exportações na costa oeste do Canadá. Empresas como Sinochem, Sinopec e Zhejiang Petroleum & Chemical passaram a importar mais cargas do Canadá, por meio de escritórios de representação em locais como Calgary.

Alternativas de petróleo pesado e combustível do Brasil

Além do Canadá, outras fontes de petróleo pesado, como o óleo combustível e o petróleo do Brasil, também aparecem como possíveis substitutos para o petróleo venezuelano. No entanto, o Brasil já destina grande parte de sua produção ao mercado chinês, o que limita a disponibilidade desses recursos.

Nordeste da China e tendências futuras

Dados da Kpler indicam que a China respondeu por quase 40% das exportações marítimas do Canadá em 2025, consolidando a importância do país como importador. A maior parte do petróleo chinês provém de Rússia, Arábia Saudita e Malásia, este último considerado pelas análises como rota de contrabando de petróleo iraniano e venezuelano sancionado.

Implicações geopolíticas e impacto no mercado global

As ações do governo Trump, que recentemente endureceram o bloqueio ao petróleo venezuelano, prejudicaram os fluxos sancionados e pressionaram a Venezuela a buscar novas alianças. Os EUA anunciaram que controlarão por tempo indeterminado as vendas de petróleo venezuelano, retendo os recursos arrecadados e obrigando o país a adquirir produtos americanos com essa receita.

Enquanto isso, a China busca diversificar suas fontes de petróleo, apoiada na sua crescente demanda por energia. O cenário aponta para uma reorganização das rotas de suprimento global, com maior presença de petróleo canadense e outras fontes alternativas, configurando uma nova fase nas negociações internacionais de commodity.

Para mais detalhes, acesse a notícia no Fonte original.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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