Sete estados brasileiros alcançam recorde de exportações em 2025

De acordo com levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), sete estados tiveram seus melhores resultados históricos de exportação em 2025. Juntos, eles responderam por aproximadamente 35% das vendas externas brasileiras, em um contexto marcado pela alta tarifária dos Estados Unidos e pelas incertezas do comércio mundial.

Exportações recordes impulsionadas por setores-chave

No total, as exportações brasileiras alcançaram US$ 348,7 bilhões, configurando um recorde também no volume geral negociado. O Rio de Janeiro destacou-se ao exportar US$ 48,1 bilhões, aumento de 5% em relação a 2024, e representou 13,8% do total nacional. Minas Gerais também atingiu seu melhor desempenho, com US$ 45,7 bilhões exportados, alta de 8,6%, enquanto Santa Catarina somou US$ 12,2 bilhões, crescimento de 4,4%.

Outros estados que atingiram máximas históricas em 2025

Entre os demais, Mato Grosso do Sul registrou exportações de US$ 10,7 bilhões, crescimento de 7,5%, consolidando novo recorde estadual. Rondônia exportou US$ 3,1 bilhões, alta de 17,2%. Pernambuco atingiu US$ 2,5 bilhões, avanço de 16,4%, e o Acre somou cerca de US$ 99 milhões, com crescimento de 13,3%.

Produtos principais e concentrações das exportações estaduais

As composiciones das exportações dessas unidades da federação revelam uma forte concentração em produtos-chave. Para o Rio de Janeiro, o setor de energia foi predominante, com óleos brutos de petróleo respondendo por mais de US$ 37 bilhões em vendas ao exterior, seguidos por óleos combustíveis, ferro ou aço semiacabado e minério de ferro.

Já Minas Gerais manteve uma pauta diversificada, com minério de ferro liderando, seguido por café, ferro-gusa, ouro não monetário, soja e açúcar. Santa Catarina teve sua pauta centrada na exportação de carnes de aves e suínas, além de produtos industriais como geradores e motores.

Em Mato Grosso do Sul, destaque para produtos do agronegócio e indústria de base, como soja, celulose, carne bovina e milho. Rondônia concentrou suas vendas em carne bovina, soja e milho, refletindo sua forte atuação no setor de proteínas.

Distribuição e diversidade na pauta exportadora regional

Nos Estados do Norte e Nordeste, a pauta exportadora mostrou menor diversificação. Rondônia liderou com carne bovina fresca, soja e milho, enquanto Pernambuco destacou óleos combustíveis, açúcar e produtos químicos e industriais. O Acre, por sua vez, concentrou suas vendas em carne bovina e soja.

Além dos recordes, o MDIC aponta crescimento expressivo em vários estados. Ceará liderou a expansão proporcional, com alta de 55,6%, seguido por Roraima (23%) e Tocantins (21,7%).

Destinos das exportações e cenário de mercado

Herlon Brandão, diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), afirmou que, apesar da presença dos Estados Unidos entre os principais destinos, o mercado americano não foi o maior para a maioria dos Estados recordistas. Santa Catarina foi uma exceção, com EUA marcando sua maior pauta de destinos.

Segundo Brandão, a queda das exportações para os EUA não impediu o crescimento estadual devido à diversificação de mercados, como Argentina, China e Chile. A carne bovina, apesar da sobretaxa de 50% aplicada pelos EUA em 2022, teve papel relevante no desempenho de vários Estados, puxada pela produção descentralizada no Brasil.

Perspectivas para o comércio exterior brasileiro

Apesar do cenário de incertezas globais, a expectativa do setor é de crescimento das exportações, impulsionada pelo aumento na oferta exportável e pela demanda mundial relativamente estável, como afirmou Tatiana Prazeres, secretária de Comércio Exterior do MDIC. Ela destacou a importância de ampliar a participação dos Estados no comércio internacional com a Política Nacional da Cultura Exportadora (PNCE), instituída em 2023, que busca envolver mais regiões e segmentos.

Prazeres reforçou o impacto positivo das exportações na economia brasileira, ressaltando que empresas exportadoras possuem melhor remuneração para seus trabalhadores, maior longevidade, resistência a adversidades, além de serem mais produtivas e competitivas.

Segundo ela, o esforço de inclusão visa tornar o comércio exterior mais equilibrado socialmente e geograficamente, envolvendo programas como o Elas Exportam e o Raízes Comex, voltados, respectivamente, para lideranças femininas e negroas.

O diretor da Secex também salientou que a previsão mais provável é de crescimento das exportações neste ano, apoiado pelo aumento na produção de soja, petróleo e minério de ferro, além de uma demanda global que, apesar das incertezas, permanece relativamente estável.

Para conferir todos os detalhes do levantamento, acesse a matéria completa no site do O Globo.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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