Correios recorrem ao TST em tentativa de evitar greve e negociações estendem-se

A direção dos Correios acionou o Tribunal Superior do Trabalho (TST) em busca de uma mediação que evite uma greve da categoria. A tentativa ocorre após o anúncio de que o acordo coletivo de trabalho (ACT) não será renovado, em decorrência da grave crise financeira que afeta a estatal. O acordo vence em 15 de dezembro e, sem renovação, vários benefícios, como o adicional de férias de 70%, deixam de ser pagos aos funcionários.

Crise financeira e impacto nos benefícios dos trabalhadores

Segundo informações, qualquer reajuste salarial neste momento seria incompatível com o plano de reestruturação da empresa, que contempla a proposta de manutenção de uma política de reajuste zero. Os sindicatos, por sua vez, defendem a renovação do ACT anterior e reivindicam a reposição da inflação nos salários, além de benefícios como cesta básica, vale-refeição e o adicional de 70% nas férias. Os representantes dos empregados marcaram assembleias para o dia seguinte ao vencimento do acordo para decidir sobre uma possível paralisação.

Medidas de contenção e dificuldades na renegociação

O recuo da estatal também incluiu o corte do vale peru de R$ 2,5 mil concedido a carteiros e outros funcionários em 2024, refletindo a necessidade de reduzir despesas. A direção dos Correios explica que qualquer reajuste salarial é inviável enquanto o plano de reestruturação estiver em andamento, e tenta manter o diálogo com os sindicatos até o prazo final do acordo.

Reuniões com os bancos e dificuldades na captação de recursos

Em paralelo às negociações com os trabalhadores, os Correios avaliam uma nova rodada de negociações com bancos públicos, incluindo a Caixa Econômica, para obter financiamento emergencial. A expectativa é fechar a operação até o início da próxima semana, dentro das exigências do Tesouro Nacional. No entanto, as condições de empréstimo têm sido alvo de resistência, como a taxa de juros elevada, que chegou a superar o padrão recomendado pelo governo.

Condições para liberação do crédito

Segundo fontes do setor financeiro, o valor do empréstimo deve ficar entre R$ 10 bilhões e R$ 15 bilhões, abaixo do solicitado inicialmente, de R$ 20 bilhões. Um dos principais obstáculos é a dúvida sobre a capacidade da companhia de executar o plano de reestruturação, que inclui cortes de 15 mil empregados, fechamento de unidades e parcerias com o setor privado para ampliar receitas.

Perspectivas futuras

Estão previstas ações como a realização de um programa de demissão voluntária (PDV) e fechamento de unidades para garantir a sustentabilidade financeira da estatal. A expectativa é que as medidas adotadas possam estabilizar as finanças dos Correios, enquanto a mediação no TST busca evitar uma paralisação que agravaria ainda mais a crise.

Para acompanhar o andamento dessa situação delicada, leia mais em este link.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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