TikTok e o uso excessivo de água no Ceará: riscos ambientais e dúvidas sobre impacto
O gigante de tecnologia TikTok planeja construir seu primeiro data center na América Latina, no Complexo Portuário de Pecém, no Ceará, com investimento de cerca de R$ 200 bilhões. Entretanto, surge uma controvérsia: o uso de água do empreendimento será mais de sete vezes maior do que o autorizado, levantando questões sobre a sustentabilidade do projeto e os riscos à população local, que sofre com a escassez hídrica na região há anos.
Autorização de uso de água e preocupações ambientais no Ceará
Segundo apuração do Intercept Brasil, a Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará (SRH) autorizou a utilização de 144 mil litros diários de água pela Casa dos Ventos, parceira do TikTok no projeto, enquanto a licença prévia previa um consumo total de apenas 19,7 mil litros por dia. Essa diferença alarmante ocorre em uma região que declarou emergência por seca ou estiagem em 16 dos últimos 21 anos, podendo agravar ainda mais a escassez de recursos hídricos e prejudicar a população local.
Polêmica no licenciamento e resistência de comunidades indígenas
Organizações da sociedade civil vêm questionando o processo de licenciamento do projeto, que, segundo o ClimaInfo, não realizou consulta prévia aos povos indígenas e prevê desmatamento em área de proteção permanente. Lideranças indígenas do povo Anacé, apoiadas por entidades civis, solicitaram investigações sobre irregularidades na construção dos data centers ligados ao TikTok ao Ministério Público Federal e Estadual do Ceará (MPCE).
Compromissos de energia renovável e riscos de sustentabilidade
As empresas envolvidas alegam que toda a energia será 100% renovável, proveniente de parques eólicos, e que o circuito de uso de água será fechado, para minimizar o impacto ambiental. No entanto, reconhecem que a bacia hidrográfica local enfrenta dificuldades para atender às demandas atuais de consumo hídrico, levantando dúvidas sobre a viabilidade dessas promessas diante da situação de escassez.
Contexto da corrida por energia limpa e os perigos de uma expansão descontrolada
O Brasil possui uma matriz energética amplamente renovável, responsável por 88% de sua geração de energia, com destaque para fontes solar, eólica e biomassa. Porém, especialistas alertam que essa abundância de recursos renováveis pode ser explorada de maneira predatória, especialmente com a escalada do consumo de energia pelos data centers, impulsionada pelo avanço da inteligência artificial.
De acordo com Flávia Lefèvre, advogada e especialista em direito digital, a expansão desordenada de data centers coloca em risco a própria infraestrutura energética do país, que já enfrenta limitações de geração e transmissão. “Não há energia de sobra. Os centros de dados podem acabar puxando energia da população e usando matrizes não renováveis para garantir estabilidade, apesar das promessas de energia limpa”, afirma.
Reflexões sobre a regulamentação e os impactos das Big Techs no Brasil
Para especialistas e representantes da sociedade civil, o momento exige uma regulação mais rigorosa e uma análise aprofundada dos benefícios reais dessa instalação, que envolve riscos ambientais, sociais e econômicos. A preocupação é que o discurso de geração de empregos e desenvolvimento econômico seja utilizado para justificar atividades que podem causar danos irreversíveis ao meio ambiente e às comunidades locais.
O debate sobre a chegada de grandes empresas de tecnologia ao Brasil deve considerar não apenas os interesses econômicos, mas também a sustentabilidade e o respeito aos direitos das populações tradicionais e ao uso sustentável dos recursos naturais. Como bem lembra o ditado popular, “quando a esmola é demais, o santo desconfia”.
Para saber mais detalhes, acesse a matéria completa no Fonte original.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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