Refit, antiga líder no mercado de combustíveis no Rio, enfrenta interdição e queda na fatia de mercado

A Refit, proprietária da antiga Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro, foi interditada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) em setembro, após uma série de investigações e denúncias. Antes da interdição, a empresa detinha cerca de 32% do mercado de gasolina e 18% do de diesel na região, segundo dados de junho do Instituto Combustível Legal (ICL).

Queda da participação e repercussões no mercado

Antes da intervenção, a Refit superava as maiores distribuidoras do país, como Vibra (ex-BR Distribuidora), Raízen (operadora dos postos Shell) e Ipiranga, que adquirirem maior parte dos combustíveis da Petrobras. Uma fonte do setor, sob condição de anonimato, indicou que a Refit chegou a alcançar uma fatia de 50% do mercado de gasolina no Rio.

Com a suspensão das atividades, outras distribuidoras regionais, como RDP, Ruff, Petronas e SP, tiveram que reforçar suas operações para atender à demanda, triplicando a movimentação de combustíveis com caminhões extras e estoques reforçados. A Ipiranga afirmou estar preparada para suplantar a demanda no mercado interrompido.

Mitigação de riscos e resposta do setor

Segundo Emerson Kapaz, presidente do Instituto de Combustíveis (ICL), o risco de desabastecimento é considerado mínimo, já que as principais distribuidoras mantêm uma capacidade ociosa de 15% a 20%. “As empresas vão aumentar a compra de combustíveis da Petrobras, além de intensificarem as importações e reforçarem suas estruturas logísticas”, disse Kapaz.

Operações de emergência e controle no fim de semana

A Brasilcom, associação que reúne médias distribuidoras, informou que as empresas mobilizaram suas estruturas logísticas para ampliar a oferta, especialmente no Rio. Em São Paulo, distribuidoras associadas fizeram um plantão de fim de semana para fortalecer as entregas, dado que o mercado paulista, com maior competição, possui uma participação maior de operadores regionais.

Impactos econômicos e investigações em curso

Além das questões logísticas, a Refit está envolvida em suspeitas de fraudes fiscais e irregularidades na importação de nafta, hidrocarbonetos e diesel, usando empresas financeiras, fundos de investimento e estruturas no exterior, principalmente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Maranhão e no Distrito Federal. As investigações apontam para um esquema de fraude que teria causado prejuízos superiores a R$ 26 bilhões, segundo a Receita Federal.

A empresa nega irregularidades, afirmando que seus débitos tributários estão sendo discutidos judicialmente e que não há tentativa de ocultar receitas. A Procuradoria e a Receita Federal continuam as investigações, buscando esclarecimentos sobre o esquema de importações com declarações falsas.

Alterações na legislação e o futuro do mercado de combustíveis

Com a movimentação da Refit, o volume de importação de gasolina cresceu 113% em outubro, atingindo 355 mil metros cúbicos, conforme dados do setor. A expectativa é de que essa tendência de aumento nas importações continue em novembro. Além disso, os preços em postos que vendiam combustíveis da Refit deverão se equiparar ao mercado, e a legislação vigente, representada pelo PL 5.807, que já passou na Câmara e aguarda votação no Senado, poderá acabar com a prática de bombas de abastecimento sem bandeira.

Enquanto isso, o mercado debate o impacto das ações da Refit na cadeia de abastecimento e na legislação, com alguma incerteza sobre o aprimoramento do sistema de fiscalização e distribuição de combustíveis no Brasil.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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