Commodities impulsionam manutenção do PIB no terceiro trimestre

O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no terceiro trimestre ficou no campo positivo, impulsionado principalmente pelo desempenho de atividades ligadas a commodities agrícolas e minerais. Essa sustentação ocorreu mesmo com a desaceleração de outros setores e o impacto dos juros elevados, que freiam o consumo interno.

Setores de commodities mantêm crescimento do PIB

Resultados divulgados indicam que a produção de petróleo, gás natural e minerais foi fundamental para o crescimento de 1,8% do PIB na comparação trimestral. Segundo Alessandra Ribeiro, sócia da Tendências Consultoria, a produção de petróleo cresce mesmo em um cenário de preços em queda, graças à competitividade do Brasil no setor.

Entre os fatores que contribuíram para esse aumento, destaque-se a maior extração de petróleo do Pré-Sal, que cresceu 11,9% em relação ao mesmo período do ano passado, movimentando toda a indústria extrativa. “A demanda chinesa por minério e petróleo elevou significativamente as vendas brasileiras”, afirmou a economista.

A agricultura também teve papel relevante

A agropecuária registrou uma alta de 10,1% em relação ao terceiro trimestre de 2024, impulsionada por boas safras de algodão e milho, além de revisões positivas do IBGE que reforçam a contribuição do setor para o crescimento econômico.

Juliana Inhasz, economista do Insper, destacou que a alta na produção agrícola também reflete parte de resultados de colheitas de trimestres anteriores, além de uma revisão nos dados oficiais. Ela avalia que a demanda externa por esses produtos é um fator-chave para a sustentação do setor, mesmo com as incertezas geradas pelas tarifas comerciais americanas.

Automação da indústria mantém ritmo mais fraco

Apesar do bom desempenho das commodities, a indústria brasileira apresenta sinais de estagnação, com crescimento de apenas 0,8%. Rafael Cagnin, do Iedi, atribui esse cenário à demanda doméstica mais fraca e aos juros altos que ainda dificultam investimentos em maquinário, essenciais para aumento de produtividade.

“O setor está em um ritmo lento, mas os investimentos em obras de infraestrutura e construção civil continuam ajudando a sustentar a alta”, explicou o economista, ressaltando que a política monetária restritiva limita o crescimento industrial.

Perspectivas de longo prazo e riscos

Segundo projeções do FMI, o Brasil terminará o ano fora do grupo das dez maiores economias do mundo, caindo para o 11º lugar, posição que deve ser mantida até 2030, de acordo com o relatório da agência Austin Rating. Apesar do bom desempenho pontual pelas commodities, especialistas alertam para a sustentabilidade dessa trajetória.

Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, reforça que a demanda brasileira por exportações continua resistente, principalmente devido ao redirecionamento de vendas para mercados como Europa e Ásia, compensando o impacto do tarifão dos EUA. No entanto, há cautela sobre a continuidade dos resultados, já que eles dependem de fatores pontuais.

Para o mercado de títulos, análises sugerem que mercados emergentes, incluindo o Brasil, parecem mais seguros que os EUA neste momento, apesar das incertezas econômicas globais. A continuidade do crescimento sustentado por commodities dependerá da demanda internacional, da política de preços e da estabilidade do cenário econômico global.

Fonte: O Globo

Com informações do Jornal Diário do Povo

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