Investigação revela condições abusivas na cadeia de fornecimento do luxo italiano

Uma série de investigações sobre condições de trabalho abusivas em empresas terceirizadas na indústria do luxo na Itália revelou práticas exploratórias, provocando reações do governo e questionamentos sobre a reputação da marca “Made in Italy”.

Mais de cinco marcas sob investigação por abusos trabalhistas

Desde 2024, cinco empresas de moda italianas estão sob administração judicial após promotores de Milão identificarem abusos trabalhistas e falta de fiscalização nas cadeias de fornecimento. Entre elas, estão nomes renomados do setor de luxo, como Loro Piana, Giorgio Armani e Alviero Martini.

Procedimentos judiciais e ações da justiça italiana

Nesta quarta-feira (21), advogados da Tod’s compareceram a um tribunal de Milão. O Ministério Público tenta impor uma proibição temporária de publicidade e a substituição da gestão por administradores externos, alegando ações maliciosas. A audiência foi adiada para 23 de fevereiro para que os advogados possam reforçar as avaliações de controle na cadeia de fornecimento, conforme documento acessado pela AFP.

Segundo o advogado da Tod’s, a empresa rescindiu contratos com fornecedores questionados por práticas trabalhistas abusivas, em um esforço de reforçar seus controles internos.

O lado obscuro da indústria do luxo italiano

As investigações lideradas pelo promotor Paolo Storari revelaram uma prática comum no setor: a subcontratação de fornecedores, que por sua vez terceirizam para outros, dificultando o monitoramento das condições de trabalho. As análises já incluíram marcas como Loro Piana, Dior e Armani. Promotores indicaram que novas investigações podem surgir, ampliando o escopo do caso.

Reputação sob ataque e medidas do governo

O governo da Itália manifestou preocupação com o impacto dessa crise na reputação das marcas nacionais. O ministro da Indústria, Adolfo Urso, declarou que a imagem do setor de moda italiano está “sob ataque”. Como resposta, sugeriu um selo de certificação voluntário para demonstrar conformidade com a legislação vigente, medida criticada por especialistas que consideram sua eficácia limitada e risco de proteger indevidamente as marcas.

Exploração na cadeia de fornecedores

No mês passado, o Ministério Público revelou que a Tod’s, cujo mocassim de couro pode custar mais de US$ 1.000 (R$ 5.300), e seus executivos estavam cientes das condições de exploração nas terceirizadas chinesas, mas não agiram para evitá-la. Relatórios apontam que a empresa ignorou auditorias internas que detectaram violações de horas de trabalho e baixos salários — trabalhadores recebendo cerca de 17 reais por hora e condições degradantes nas fábricas.

Para o Ministério Público, as empresas podem ser responsabilizadas pelos crimes cometidos por fornecedores e representantes que atuam em seu interesse, reforçando a responsabilidade jurídica das marcas na cadeia de produção.

Denúncias e impacto social

Defensores dos direitos trabalhistas há décadas denunciam a exploração no setor de moda na Itália, onde muitas pequenas e médias empresas, afetadas pela crise econômica e aumento de custos, recorrem a terceirizadas para atender rapidamente às grandes encomendas. Essa prática, segundo Deborah Lucchetti, da Campanha Roupa Limpa, alimenta uma “cadeia de exploração” que muitas vezes envolve trabalhadores imigrantes submetidos a condições ilegais e de trabalho precário.

Próximos passos e perspectivas para o setor de luxo

Embora a investigação esteja em andamento, há uma expectativa de que novos casos surjam, ampliando a crise na reputação das marcas italianas. O governo anunciou que pretende implementar medidas mais rigorosas para combater a exploração na cadeia de fornecedores, reforçando a fiscalização e buscando proteger os trabalhadores e a integridade do setor de moda de luxo italiano.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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