Gafisa vende projeto no Rio após três anos de obras paradas

A construtora Gafisa anunciou recentemente a venda do projeto Sense Icaraí, em Niterói, por R$ 15 milhões, após três anos de obras praticamente paradas. A venda, que ocorreu de forma protocolar nesta semana, ocorre em um momento de dificuldades para a incorporadora, que enfrenta atrasos e atrasos em outros empreendimentos no Rio de Janeiro e São Paulo.

Venda do projeto e contexto de atrasos

O empreendimento, lançado em 2022 com Valor Geral de Vendas estimado em R$ 204 milhões, deveria ter sido entregue neste ano, mas as obras quase não avançaram. De acordo com informações do mercado, menos de um terço das unidades do Sense Icaraí foi vendido. A própria construtora aponta que a paralisação ocorreu após dificuldades na obtenção de financiamento para o projeto.

Segundo a Gafisa, a venda do Sense Icaraí por R$ 15 milhões, incluindo passivos, faz parte de uma estratégia para preservar caixa e focar em empreendimentos de alto padrão em São Paulo e na Zona Sul do Rio. “A operação visa fortalecer a estrutura financeira da companhia e reorganizar recursos para mercados prioritários”, afirmou a empresa em nota oficial.

Repercussões na Justiça e ações de compradores

Desde o início da crise, alguns compradores recorreram à Justiça, temendo prejuízos por conta do atraso na entrega do empreendimento. A coluna de Ancelmo Gois, em abril deste ano, destacou que a paralisação do projeto já resultou em liminares que obrigaram a construtora a depositar valores em juízo. Alguns clientes se mobilizaram na busca por reparação.

Estratégias financeiras e outros empreendimentos

Para mitigar os efeitos da crise, a Gafisa realizou uma oferta subsequente de ações (follow-on) no valor de aproximadamente R$ 89 milhões e emitiu debêntures de cerca de R$ 50 milhões em outubro, com foco na conclusão de obras em andamento. A empresa afirma que essas medidas garantem recursos para entregar os projetos previstos para o primeiro semestre de 2026.

Outro empreendimento importante, o Canto, no Arpoador, também passou por alterações no funding. O banco BTG, que já era credor, assumiu toda a operação de financiamento, garantindo a continuidade e previsão de entrega para o próximo ano. A companhia reforça que a mudança não se deu por atrasos, mas por uma estratégia financeira.

Perspectivas e desafios

Apesar dos esforços de adaptação, a situação da Gafisa reflete os desafios enfrentados pelo mercado imobiliário, especialmente na alta de custos de insumos e aumento da taxa de juros, que afetam a execução de obras. A empresa indica que continuará focada em empreendimentos de alto padrão, buscando fortalecer sua presença em mercados estratégicos.

Para mais detalhes, leia a reportagem completa no O Globo.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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