Brasil registra rendimento médio de R$ 3.208 em 2024, maior da série histórica

O rendimento médio de todos os recursos recebidos pelos brasileiros atingiu R$ 3.208 em 2024, o maior valor já registrado desde o início da série histórica do IBGE, iniciada em 2012. O dado foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta semana, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua.

Rendimento recorde impulsionado por retomada econômica

O valor representa um avanço de 9,3% em relação a 2012, quando a média era de R$ 2.935, apesar das oscilações provocadas por crises econômicas, especialmente durante a pandemia de Covid-19. Entre 2012 e 2014, o rendimento cresceu de forma consistente, chegando a R$ 3.123, mas sofreu retrações posteriores, com queda para R$ 2.997 em 2017 e para R$ 2.888 em 2022. A recuperação recente começou em 2023, chegando ao recorde atual, impulsionada pela retomada econômica e reajustes salariais.

Disparidades regionais e sociais no rendimento

Apesar do avanço, o rendimento médio varia significativamente entre os estados. O Distrito Federal lidera com R$ 5.037, seguido por São Paulo, com R$ 3.884. Na outra ponta, Maranhão e Ceará apresentam os menores valores, de R$ 2.051 e R$ 2.053, respectivamente. Essa diferença indica que um trabalhador no Distrito Federal ganha, em média, mais do que o dobro de um trabalhador no Maranhão.

Além das desigualdades regionais, o estudo revela disparidades de gênero e raça. Em 2024, homens receberam, em média, 27,2% a mais que mulheres. Pessoas brancas ganharam cerca de 65,9% a mais que pretas ou pardas por rendimento hora, e no nível superior completo, essa diferença chegou a 44,6% entre essas categorias raciais. Mesmo com níveis mais altos de escolaridade, mulheres tiveram um índice de ocupação de apenas 49,1%, enquanto os homens atingiram 68,8%, permanecendo os principais afetados pela segregação no mercado de trabalho.

Perfil salarial por grupos ocupacionais

O levantamento destaca ainda as discrepâncias salariais entre grupos profissionais. Diretores e gerentes conquistam rendimento médio de R$ 8.721 mensais, concentrando funções de liderança e gestão. Membros das forças armadas, policiais e bombeiros recebem R$ 6.749, enquanto profissionais das ciências e intelectuais chegam a R$ 6.558.

Já técnicos e profissionais de nível médio apresentam rendimento de aproximadamente R$ 4.148, cerca de 29% acima da média nacional, atuando em áreas essenciais como saúde e educação. Na base da pirâmide estão ocupações elementares, com média salarial de R$ 1.454, menos da metade da média geral. Entre esses cargos, destacam-se trabalhadores de serviços, vendedores do comércio, operadores de máquinas e trabalhadores rurais, com valores significativamente abaixo do rendimento médio.

Desigualdades de gênero e raça no mercado de trabalho

Apesar do recorde de ocupação de 101,3 milhões de brasileiros em 2024, diferenças de oportunidades e salários persistem. Mulheres continuam com uma participação menor no mercado de trabalho, e, quando empregadas, recebem apenas 78,6% do rendimento dos homens, valor ainda menor em setores como serviços e comércio, onde chegam a 63,8%.

O estudo reforça que a desigualdade no Brasil é estrutural e multifacetada, envolvendo fatores regionais, de raça, gênero e escolaridade. Essas disparidades refletem as limitações para uma distribuição mais equitativa dos recursos e oportunidades no país.

Para mais detalhes, acesse a fonte oficial do IBGE.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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