Correios buscam empréstimo bilionário sem aval do Tesouro
Os Correios continuam na busca por uma linha de crédito de até R$ 10 bilhões para reestruturação, mas o risco de obter aval do Tesouro Nacional é quase nulo nesta fase. A operação, que envolveria bancos privados, foi suspensa nesta terça-feira devido aos custos elevados e à recusa do governo em garantir o crédito, dado o alto índice de juros próximo a 136% do CDI.
Rejeição do Tesouro e dificuldades do setor
A direção da estatal negociava com um grupo de bancos formado por Banco do Brasil, Citibank, ABC, BTG e Safra. No entanto, o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, foi informado por integrantes do Ministério da Fazenda de que o Tesouro não concederia garantia a uma operação com custos tão elevados, cuja taxa de juros ultrapassa os 120% considerados padrão pelo governo.
Segundo análise de especialistas, essa dificuldade é comum a outras estatais que buscam crédito de bancos privados, especialmente em cenário de alta complexidade econômica. Desde 2010, a única alternativa viável tem sido o financiamento por bancos públicos brasileiros, como Caixa e BNDES, ou por instituições internacionais, como Banco Mundial e BID.
Histórico de empréstimos a estatais
Nos últimos 15 anos, o Tesouro concedeu 1.171 garantias de crédito, com 65% delas destinadas a bancos e instituições financeiras nacionais, e 35% a entidades internacionais. Apenas 12 dessas operações foram feitas diretamente com empresas estatais, incluindo Eletrobras, Furnas e Eletronuclear, que tiveram acesso a crédito mediante garantias públicas.
Contexto dos Correios e perspectivas futuras
Embora os Correios nunca tenham contratado empréstimos com aval do Tesouro, a possibilidade parece ser a única saída viável atualmente, segundo especialistas. O economista Márcio Holland, da FGV, avalia que a operação é de alto risco para os bancos e para o próprio governo, devido à situação financeira da estatal e à ausência de perspectivas de geração de caixa a curto prazo.
Os Correios planejam uma proposta de financiamento que pode chegar a R$ 10 bilhões, representando mais do que o dobro do maior empréstimo concedido pelo Tesouro nas últimas décadas para uma estatal, que foi de R$ 4 bilhões à Eletrobras, em 2014. A empresa tenta demonstrar aos bancos sua sustentabilidade a médio e longo prazos, mas ainda não apresentou detalhes do plano.
Críticas e debates sobre privatização
Para Armando Castelar, pesquisador do FGV Ibre, a alternativa mais adequada seria a privatização da estatal. Ele critica o uso de bancos públicos e o aval do Tesouro, considerando a operação um risco elevado e uma forma de perpetuar a incapacidade da empresa de se ajustar à nova realidade do mercado.
“É uma empresa que hoje em dia não se justifica mais ser estatal. Isso acaba empurrando o problema para o próximo governo e mostra pouca transparência”, afirmou Castelar, destacando a necessidade de reformas profundas para a estatal se tornar sustentável.
Próximos passos e desafios
Com a suspensão da operação, a expectativa é que Correios continue analisando propostas e buscando soluções de reestruturação. No curto prazo, a estatal pretende fortalecer sua transparência e apresentar um plano que, de fato, convença as instituições financeiras a assumirem o risco de crédito.
O cenário atual evidencia a dificuldade de financiamento para empresas estatais em crise utilizando recursos de bancos privados, reforçando o papel preponderante do setor público e de instituições multilaterais na sustentação de empresas nesse Estado de dificuldades financeiras.
Para mais detalhes, acesse o site O Globo.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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