Redução das tarifas dos EUA beneficia parcialmente exportações brasileiras
O vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou neste sábado (15/11) que os Estados Unidos reduziram parcialmente as tarifas de importação sobre alguns produtos brasileiros, após negociações em andamento entre os dois países. A medida visa aliviar o impacto das sobretaxas aplicadas desde agosto, mas não elimina completamente as tarifas, que ainda afetam setores importantes da exportação brasileira.
Impactos na pauta de exportação brasileira
Segundo Alckmin, a redução das tarifas elevou o percentual de produtos brasileiros isentos de tarifas específicas de 23% para 26%, representando cerca de US$ 10 bilhões em exportações aos EUA. Destes, o maior benefício foi para o suco de laranja, cujo valor de exportação para os EUA soma aproximadamente US$ 1,2 bilhão ao ano. O produto, produzido principalmente em São Paulo, agora está livre também da tarifa de 10%, além da já existente de 40%.
Entretanto, outros itens, como o café, continuam sob a tarifa de 40%. “Ainda há espaço para avanços na redução tarifária, especialmente para o café, que é o maior fornecedor do Brasil aos EUA”, afirmou Alckmin, ao reforçar o esforço do governo na negociação com Washington.
Negociações bilaterais e perspectiva futura
As negociações entre Brasil e Estados Unidos, lideradas pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e pelo chanceler Mauro Vieira, continuam em andamento. Eles planejam viajar aos EUA após a COP 30, em Belém, para ampliar os entendimentos sobre as tarifas.
O secretário de Comércio do Brasil, Mauro Vieira, destacou que há otimismo para um acordo ainda neste mês, com negociações que podem durar de dois a três meses. Uma proposta já foi apresentada aos americanos, respondendo às demandas iniciais de outubro, e aguarda resposta nas próximas semanas.
Contexto das tarifas e relação com a política interna americana
As tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, implementadas pelo governo Trump em resposta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, continuam impactando as exportações. Ainda assim, a redução parcial foi atribuída a considerações econômicas internas, como o aumento da inflação nos EUA e a necessidade de conter preços de produtos como o café, que sofreu queda na quantidade enviada ao país (-47% em setembro, comparado a 2024).
Trump justificou a suspensão de parte das tarifas em uma ordem executiva publicada na sexta-feira (15/11), alegando monitoramento de dados econômicos e a influência das negociações bilaterais. Essa mudança, entretanto, não prejudica o esforço contínuo do Brasil para obter uma redução mais ampla nas sobretaxas.
Impactos no setor agrícola e na economia americana
O setor de frutas, como manga e goiaba, também foi afetado pelas tarifas, especialmente por produtores brasileiros que tiveram pedidos cancelados. Por outro lado, a carne bovina brasileira continua sendo uma das principais exportações, com 23% do mercado americano, embora a oferta dos EUA esteja em queda histórica devido a fatores como seca e baixa produção.
Apesar das tarifas impactarem a competitividade, o Brasil mantém sua posição como maior exportador mundial de carne bovina. Nos EUA, os preços dos produtos alimentícios seguem em alta, com alimentos subindo 2,7% em relação ao ano passado, refletindo o impacto econômico das sobretaxas e da inflação geral.
Próximos passos e expectativas
O governo brasileiro aguarda ansiosamente por avanços nas negociações, com a expectativa de que sejam estabelecidos mecanismos de redução tarifária mais definitiva. Ainda não há uma data concreta para eventuais novos encontros oficiais, mas há otimismo de que o diálogo continue e proporcione melhorias para setores como o de café, frutas e carnes.
Mais detalhes sobre a evolução dessas negociações e o impacto na balança comercial brasileira serão acompanhados nas próximas semanas. O avanço dessas conversas é considerado estratégico para fortalecer o comércio bilateral e reduzir os efeitos das tarifas sobre a economia brasileira.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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