Brasil mantém tarifas, enquanto EUA interrompem cortes em tarifas agrícolas

Após o anúncio do decreto dos Estados Unidos que eliminou tarifas sobre quase 200 produtos agrícolas, o governo brasileiro, comandado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, afirmou que continuará buscando novos cortes. Ainda assim, setores como a cafeicultura permanecem apreensivos com o impacto dos tarifões e a manutenção de sobretaxas, enquanto Washington sinaliza que não vê necessidade de novas reduções de tarifas de importação.

Tarifas agrícolas dos EUA e impacto no Brasil

Na sexta-feira, os Estados Unidos reduziram tarifas de quase 200 produtos agrícolas, incluindo carne bovina, tomate, café, banana e açaí, mas mantiveram a sobretaxa de 40% sobre bens exportados do Brasil, vigente desde agosto. Segundo o Ministério da Economia, o decreto buscou aliviar os preços ao consumidor americano, em reação à derrota do Partido Republicano em eleições locais recentes.

Dados do CPI, índice de preços ao consumidor dos EUA, mostram que, em um ano, os preços do café torrado subiram 18,9% e a carne bovina 14,7%, refletindo o impacto das tarifas e tarifas recíprocas eliminadas por Washington.

Perfis dos setores brasileiros diante das mudanças

Foco na relação comercial e negociações

Alckmin afirmou, em Brasília, que as reduções de tarifas foram positivas, mas que o Brasil segue em tratativas com os EUA para ampliar os cortes. “Estamos buscando avançar mais nas negociações, principalmente para produtos como o café, que ainda enfrentam altas tarifas”, declarou o vice-presidente.

Durante evento no Palácio do Planalto, ele destacou que ainda há distorções a serem corrigidas, como a elevada tarifa de 50% cobrada sobre o café brasileiro, que foi reduzida para 40%. “Vamos continuar trabalhando para melhorar essa situação”, reforçou Alckmin.

Reação do setor cafeeiro e efeitos na competitividade

Para os exportadores de café, a decisão dos EUA agravou o cenário de competitividade. Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé, afirmou que a eliminação das tarifas recíprocas beneficiará fornecedores como Vietnã e Colômbia, ao passo que o produto brasileiro fica mais vulnerável. “A situação piorou para nós, pois nossos concorrentes ficaram zerados, o que coloca o Brasil em situação difícil”, declarou.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam que o Brasil exporta cerca de 16% de seu café para os EUA, movimentando aproximadamente US$ 4,6 bilhões, sendo o maior exportador mundial do grão.

Perspectivas e dificuldades nas negociações

A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) criticou a manutenção do imposto de 40%, afirmando que isso tende a ampliar distorções no mercado e reduzir ainda mais as exportações de cafés especiais para os EUA. Entre agosto e outubro, os embarques de cafés especiais tiveram queda de 55%, ante igual período de 2024, segundo a entidade.

Crítico ao cenário, o representante dos exportadores de café no Brasil cobrou maior esforço do governo para negociar isenções e aliviar a competitividade do produto nacional perante os importadores americanos.

Ampliando o cenário econômico

Segundo análise da Confederação Nacional da Indústria (CNI), as mudanças de tarifas afetaram cerca de 11% das exportações brasileiras para os EUA, totalizando US$ 4,6 bilhões. A entidade reforça a necessidade de ampliar as negociações entre Brasília e Washington para garantir condições mais favoráveis ao comércio bilateral.

Já o setor de fruticultura nacional lamentou a ausência da uva na lista de produtos beneficiados pelo decreto americano, o que reforça a complexidade da disputa comercial bilateral neste momento.

Futuro das negociações e ajustes previstos

Embora Donald Trump tenha declarado que não vê espaço para novas reduções de tarifas, o governo brasileiro mantém o foco na busca por acordos que possam beneficiar os exportadores do país. Segundo alinhamento oficial, as negociações continuam e podem resultar em avanços nas próximas semanas.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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