Correios buscam R$ 10 bilhões para reestruturação, mas enfrentam ceticismo de especialistas
A nova administração dos Correios está correndo contra o tempo para conseguir um empréstimo de pelo menos R$ 10 bilhões, visando equilibrar as contas no vermelho e dar sequência às medidas de corte de gastos e busca por novas fontes de receita. A operação é vista como fundamental para a continuidade do plano de reestruturação, que ainda enfrenta dúvidas entre especialistas quanto à sua efetividade.
Desafios e ceticismo na recuperação dos Correios
O presidente da estatal, Emmanoel Rondon, iniciou negociações com bancos e ampliou o leque de instituições financeiras procuradas, tentando obter um crédito com taxa de até 120% do CDI. No entanto, o custo elevado dos juros, somado ao histórico de prejuízos, levanta dúvidas sobre a capacidade da empresa de se recuperar apenas com esse aporte financeiro.
Os Correios acumularam um prejuízo de R$ 4,3 bilhões no primeiro semestre de 2025, sendo R$ 2,6 bilhões apenas no segundo trimestre — quase cinco vezes maior do que o resultado negativo no mesmo período do ano anterior, de R$ 553,1 milhões.
Estratégias de reestruturação e perspectiva de venda de ativos
Especialistas sugerem que uma das saídas seria vender a parte mais rentável da empresa e reduzir a estrutura restante, que dependeria do Tesouro Nacional para garantir o serviço universal, obrigatoriedade constitucional da União. Dentro da própria empresa, há a intenção de criar um ecossistema de novas receitas para reduzir a dependência de aportes governamentais.
Entretanto, a mudança de controle para o setor privado não é vista como uma solução viável. A eficiência do serviço postal ainda é considerada essencial para a entrega de itens em todas as regiões do Brasil, especialmente nas áreas mais remotas, o que exige um operador estatal forte na logística.
Opiniões divergentes sobre o futuro dos Correios
A economista Zeina Latif, sócia-diretora da Gibraltar Consulting, alertou que o empréstimo pode ser um desperdício se não houver uma mudança estruturada na gestão e no modelo de negócio, que atualmente não se sustenta diante do avanço digital e da forte competição no setor de entregas.
Ela ressaltou que, sem uma reestruturação efetiva, novos recursos financeiros apenas adiarão o colapso da estatal. A especialista também comentou que uma eventual privatização parcial ou venda de partes rentáveis poderia diminuir o tamanho da estatal, mantendo uma estrutura menor e dependente do Tesouro para os serviços essenciais.
Já Elena Landau, ex-diretora do BNDES, avalia que o empréstimo por si só não será suficiente, já que a empresa perdeu sua capacidade operacional. Ela atribui os juros elevados à desconfiança do mercado e acredita que a solução verdadeira seria reconhecer a necessidade de uma estatal dependente, com aportes contínuos do governo, o que, atualmente, não faz parte do planejamento oficial.
Para o professor Márcio Holland, da FGV, o valor de R$ 10 bilhões não será suficiente, sendo provável que a estatal precise de mais de R$ 20 bilhões para estabilizar suas finanças, além de realizar uma profunda reestruturação de seus serviços e custos.
Outro ponto relevante é a preocupação com a garantia de que o aval da União seja concedido de forma responsável. Interlocutores da equipe econômica indicam que, para isso, é preciso apresentar um plano de reestruturação sólido.
Por sua vez, Sérgio Lazzarini, do Insper, e Roberto Troster, economista e sócio da Troster & Associados, destacam que a solução deve passar por uma reinvenção da própria gestão e expandir a oferta de serviços, aproveitando a capilaridade da rede postal. Troster afirmou que, se bem aproveitada, a rede dos Correios tem potencial para atuar como canal de novos negócios, o que pode garantir o sucesso do processo de revitalização.
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Com informações do Jornal Diário do Povo
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