Déficit nas contas externas sobe e preocupa analistas no Brasil

As contas externas do Brasil continuam apresentando sinais de deterioração, com o saldo negativo em transações correntes atingindo US$79 bilhões ou 3,6% do PIB nos últimos doze meses até setembro, longe da média anual de 2,1% desde 2000. O aumento do déficit gera preocupações entre analistas econômicos e autoridades, dada a vulnerabilidade que representa para a estabilidade financeira do país.

Investimento estrangeiro não acompanha o rombo nas contas externas

Além do saldo negativo, a entrada de US$76 bilhões de investimento direto (ID), considerado de longo prazo, deixou de ser suficiente para cobrir o saldo negativo, algo pouco visto recentemente. Segundo dados do Banco Central, essa insuficiência reforça a necessidade de maior atratividade para o investimento estrangeiro no Brasil.

Fatores conjunturais e estruturais impulsionam o desequilíbrio

Impacto do aquecimento da economia e pressões cambiais

Parte da deterioração é conjuntural, decorrente do sobreaquecimento da economia brasileira, que aumenta a demanda por importações. Este cenário preocupa o Banco Central, pois pode exercer pressão sobre o câmbio e, por consequência, sobre os preços ao consumidor, elevando a inflação.

Desafios a longo prazo e baixa competitividade

No entanto, fatores estruturais também pesam na fragilidade das contas externas. Juros elevados e a desaceleração econômica, por si só, não tendem a promover uma grande melhora na balança comercial. A baixa competitividade da indústria brasileira e o custo-Brasil elevado dificultam a substituição de importados e reduzem a capacidade de exportação.

Boas notícias nas exportações e na inserção no mercado global

Por outro lado, o Brasil tem registrado avanços significativos nas exportações, impulsionados pelo aumento das vendas de commodities e pela participação em cadeias globais. Entre 2020 e 2024, o volume exportado cresceu 4,2% ao ano, beneficiado principalmente pelos embarques para a China, apesar do limitado número de acordos comerciais – apenas 13% das exportações ocorrem sob esses tratados, segundo Lucas Ferraz.

Exportadores com investimento direto e o efeito do comércio internacional

Empresas com investimento estrangeiro representam 53% das exportações em 2023, refletindo a relação direta entre investimento e sucesso nas vendas externas. Além disso, o impacto dos tarifados de Trump é considerado modesto, com o comércio com o resto do mundo apresentando avanços contínuos, especialmente em mercados emergentes.

Dependência do petróleo e riscos futuros

Entretanto, a dependência de commodities, especialmente petróleo, preocupa. Em 2024, petróleo e derivados foram responsáveis por US$29 bilhões do saldo comercial, com a China respondendo por US$19 bilhões. Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a produção nacional de petróleo deverá cair a partir de 2031, o que pode enfraquecer ainda mais o saldo comercial nesse segmento.

Importações crescentes e desafio da competitividade

As importações de bens e serviços vêm crescendo acima do PIB, agravando o déficit. A baixa competitividade da indústria, devido ao custo-Brasil elevado, aumenta a participação de produtos importados na economia. Ainda assim, há avanços na aquisição de bens de capital e serviços tecnológicos, essenciais à modernização do setor produtivo.

Situação fiscal e riscos de longo prazo

Outro fator que pesa no déficit externo são os pagamentos de juros, lucros e dividendos gerados pelo investimento estrangeiro, totalizando US$83 bilhões até setembro. Apesar de compatível com o padrão histórico desde 2010, o elevado fluxo de recursos para o exterior frustra a retenção de recursos para reinvestimento no país.

Embora o elevado déficit externo não seja uma preocupação imediata, há riscos iminentes se não houver ações para fortalecer a estrutura econômica. Melhorias na competitividade dos produtos e atração de investimentos serão cruciais, principalmente num cenário de queda na exploração de petróleo.

Desafios políticos e a necessidade de reformas estruturais

Para sustentar o cenário de crescimento e equilibrar as contas externas, reforça-se a urgência de políticas de longo prazo. Entretanto, a persistente insegurança jurídica e a carga tributária elevada continuam dificultando avanços nesse sentido, com o governo adotando posições que dificultam uma agenda de reformas eficaz.

Para mais detalhes, consulte a matéria completa em O Globo.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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