Arábia Saudita revisa planos de megaprojetos devido à crise do petróleo

Após anos de investimentos grandiosos em projetos de transformação, a Arábia Saudita anunciou uma pausa na estratégia Visão 2030, avaliada em US$ 2 trilhões, devido à queda nos preços do petróleo. A iniciativa previa transformar Riade em um polo global de inovação, cultura e turismo, mas o cenário atual obrigou os responsáveis a reavaliar seus planos.

De The Line a projetos cancelados

Um exemplo emblemático é o The Line, uma cidade linear de 177 quilômetros, que prometia acomodar até nove milhões de pessoas. Desde 2016, o governo investiu centenas de bilhões de dólares nesse projeto, que agora foi reduzido drasticamente para alguns quilômetros e capacidade de 300 mil habitantes, refletindo ajustes na estratégia de expansão urbana e tecnológica do reino.

Além disso, outros empreendimentos de peso sofreram atrasos — como a Estância de Montanha Trojena, que sediaria os Jogos Asiáticos de Inverno de 2029, agora adiada para 2032, e o distrito New Murabba, com cronograma desacelerado para garantir sustentabilidade.

Alguns projetos, como o resort Sindalah, avaliado em US$ 1 bilhão, foram totalmente cancelados, principalmente por gastos excessivos e problemas de planejamento. Segundo fontes do setor, o luxo extremo, como peles de crocodilo usadas na decoração, ajudou a irritar o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, aumentando a necessidade de contenção de custos.

Necessidade de ajuste e foco na sustentabilidade

De acordo com Jerry Inzerillo, executivo da Dubai Holding e conselheiro de MBS, o país precisa adotar uma postura mais conservadora, uma vez que o petróleo continua respondendo por mais da metade da economia e o preço do barril não ultrapassou US$ 100 desde 2022. “Gastamos demais e agimos de forma acelerada. Agora, é hora de redefinir prioridades”, afirmou um funcionário saudita em fórum de investimentos.

A estratégia, apesar dos cortes, permanece firme em segmentos considerados essenciais para o crescimento sustentável, como tecnologia e entretenimento. O fundo soberano do reino investiu US$ 55 bilhões na desenvolvedora de jogos Electronic Arts e financia empresas de inteligência artificial, buscando diversificar sua economia a longo prazo.

Desafios e perspectivas futuras

Especialistas avaliam que o país precisa equilibrar a projeção de glamour e inovação com resultados concretos. “Havia uma doença de Dubai aqui: tudo virou um vídeo glamoroso, sem progresso real em áreas que geram impacto econômico e empregabilidade”, comenta um líder empresarial anônimo.

Embora haja receio de que a recuperação dependa da alta nos preços do petróleo, autoridades sauditas permanecem otimistas e acreditam que, em um prazo de dois a três anos, o mercado poderá permitir nova rodada de investimentos. Enquanto isso, a Visão 2030 segue em modo de ajustes, entre sonhos futuristas e uma gestão mais pragmática das finanças públicas.

Para saber mais detalhes, acesse a matéria completa no site do Globo.

Com informações do Jornal Diário do Povo

Share this content:

Publicar comentário