Opep+ pausa aumento de petróleo no primeiro trimestre de 2026

Após concordar em retomar 137 mil barris diários em dezembro, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+) anunciou que irá pausar os aumentos na produção de petróleo durante o primeiro trimestre de 2026. A decisão foi tomada nesta semana em videoconferência, buscando ajustar a oferta diante de sinais de excesso de petróleo no mercado global.

Decisão de pausa na produção e cenário de incerteza

Os membros-chave, liderados pela Arábia Saudita, concordaram em igualar os aumentos programados para outubro e novembro — de 137 mil barris por dia — e, depois, interromper os ajustamentos de janeiro a março. A pausa ocorre em um período de demanda historicamente mais fraca, refletindo uma expectativa de desaceleração sazonal, segundo fontes da reunião.

Segundo Helima Croft, chefe de estratégia de commodities do RBC Capital, “a pausa é certamente outra reviravolta, mas uma decisão prudente, considerando a incerteza em relação ao cenário de oferta para o primeiro trimestre”.

Desafios no mercado global de petróleo

O mercado enfrenta dúvidas após sanções à Rússia, uma co-líder da Opep+, que criam incertezas sobre o fornecimento russo. Além disso, há um aumento no excesso de oferta, que deve crescer ainda mais no próximo ano, com sinais de que a capacidade de produção de algumas regiões está atingindo seus limites.

O analista Jorge Leon, da Rystad Energy, aponta que “a Opep+ está cedendo, mas de forma calculada. As sanções à Rússia adicionaram uma camada de incerteza nas previsões de fornecimento”.

Impactos e perspectivas do mercado de petróleo

Enquanto o preço do petróleo Brent caiu cerca de 13% neste ano, a expectativa é de que o mercado entre em um cenário de superávit, apoiado por previsões da Agência Internacional de Energia (AIE) de que os fornecimentos globais podem superar a demanda em mais de três milhões de barris por dia neste trimestre. Nem todos os membros da Opep+ conseguiram aumentar a produção conforme o planejado, o que limita os efeitos sobre os preços.

Além disso, o crescimento da oferta de petróleo nos Estados Unidos deve estagnar em 2026 devido à queda nos investimentos do setor de xisto, que enfrenta um “ponto de inflexão”, segundo especialistas.

Repercussões econômicas e o cenário internacional

O príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman planeja uma visita aos Estados Unidos ainda neste mês para discutir a redução dos preços dos combustíveis com o presidente Donald Trump. Os contratos do petróleo Brent, por sua vez, fecharam abaixo de US$ 65 o barril na sexta-feira, refletindo a pressão de um mercado com excesso de oferta.

Por outro lado, as sanções à Rússia — que ajudaram a sustentar os preços após uma queda em maio — continuam incertezas para o mercado. Segundo analistas, a decisão de pausar o aumento na produção também serve para ajustar o volume de petróleo a ser restaurado na oferta, que deve somar cerca de 1,2 milhão de barris por dia até o início de 2026.

A próxima reunião da aliança OPEP+, marcada para 30 de novembro, deve revisar especificamente os níveis de produção para o próximo ano. A expectativa é de que o grupo continue monitorando de perto o cenário de oferta e demanda, buscando equilíbrio em meio às dificuldades atuais e às projeções de superávit global.

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Com informações do Jornal Diário do Povo

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