EUA buscam alternativas para mitigar impacto da tarifa de 50% no café brasileiro

Mais de três meses após a imposição de uma tarifa de 50% pelo governo dos Estados Unidos sobre o café brasileiro, o setor de importação busca estratégias para minimizar os prejuízos. Desde 6 de agosto, os importadores enfrentam custos elevados, cargas retidas e contratos cancelados, impactando o preço final da bebida, que sobe até 40% para o consumidor.

Alternativas para evitar a tarifa de 50%

Um exemplo é a importadora Lucatelli Coffee, que transferiu parte de suas compras para o Canadá, armazenando o café na Flórida para evitar a cobrança do imposto. Segundo Steven Walter Thomas, proprietário da empresa, essa estratégia aumenta os custos de transporte, mas compensa a isenção da tarifa. “É um dilema: esperar por um acordo ou sofrer perdas na logística ao redirecionar o café”, afirmou à Reuters.

Enquanto aguardam uma possível resolução nas negociações entre Brasil e EUA, as importadoras enfrentam estoque reduzido. Algumas torrefadoras cancelaram pedidos ao Brasil, pagando multas de até US$ 25 por saco de 60 quilos — atualmente avaliado em cerca de US$ 515 — devido à impossibilidade de não embarcar o produto ou manter contratos vigentes. Michael Kapos, da Downeast Coffee Roasters, relata que seus estoques estão acabando rapidamente, apesar de tentarem buscar fornecedores alternativos com custos mais elevados, como cafés da Colômbia, México e países da América Central.

Impacto nos preços ao consumidor e produção nos EUA

O efeito da tarifa também se reflete nos preços de varejo. Dados do governo americano indicam que o valor do café moído e torrado subiu 41% em relação ao ano anterior, até setembro. Consumidores, como Sherryl Legyin, percebem o aumento na prática, procurando ofertas em vez de marcas específicas, enquanto Yasmin Vazquez relata maior preço e redução no tamanho de seus cafés instantâneos.

Custo político e impacto econômico

Originalmente justificada por razões comerciais e políticas, a tarifa foi uma resposta de Donald Trump à suposta perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal. Reuniões entre Trump e o atual presidente Lula, ocorridas recentemente, sinalizam uma tentativa de melhorar as relações comerciais, mas sem garantias concretas de revogação da tarifa.

Thomas revelou sua insatisfação integral com a medida, alegando que ela é “punitiva, política e pessoal, entre Trump e Lula”. “O Brasil não está pagando; sou eu e meus clientes”, lamentou.

O setor de café nos EUA permanece atento ao desdobramento dessas negociações, enquanto tenta equilibrar custos elevados, estoques baixos e preços ao consumidor cada vez mais altos.

Para acessar detalhes completos, confira a matéria no G1.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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