Decisão do Federal Reserve impacta mercados e o Brasil

Nesta quarta-feira, o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decide o próximo patamar da taxa de juros, após uma forte expectativa do mercado financeiro. A plataforma FedWatch, que analisa a probabilidade de corte, indicava ontem 98% de chance de uma redução de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para entre 3,75% e 4%.

Expectativa e impacto da decisão do Fed

A expectativa do mercado foi tão intensa que, ontem, o Ibovespa renovou seu recorde de fechamento, superando os 147 mil pontos, enquanto as Bolsas de Nova York também atingiram novos patamares históricos. A decisão ocorre em meio ao apagão nas agências federais americanas, o chamado shutdown, causado pela disputa entre republicanos e democratas sobre o orçamento do próximo ano fiscal, iniciado em 1º de outubro. Essa incerteza dificulta a obtenção de dados econômicos atualizados, essenciais para a condução da política monetária.

O que o mercado diz

De acordo com Caique Stein, sócio da Blue3 Investimentos, a falta de informações precisas torna o cenário mais instável, comparando-o a “dirigir um carro de olhos vendados”. Ele afirma que a oscilação do câmbio, que está em torno de R$ 5,40 há duas semanas, ficou mais travada por conta da ausência de dados sobre inflação, desemprego e crescimento econômico.

O analista Andrew Hollenhorst, do Citi, aponta que o presidente do Fed, Jerome Powell, deve reforçar durante sua fala, meia hora após o anúncio da decisão, que a formulação de política monetária fica mais difícil sem informações econômicas atualizadas. Powell deve também sinalizar que a condução da política deve ser mais cautelosa neste momento.

Estratégia do Fed e balanço patrimonial

Enquanto o Brasil concentra-se na inflação e no crescimento do emprego, o Fed monitora esses indicadores além da inflação, cujo objetivo é reduzir para a meta de 2%. Nos últimos meses, o nível do emprego demonstrou sinais de fraqueza, mesmo com a inflação ainda acima do desejado pela autoridade monetária.

Outro ponto de atenção será a decisão sobre o balanço patrimonial do Fed, que, após a crise de 2008, praticou o chamado quantitative easing, comprando títulos para ampliar a liquidez. Segundo a economista Andressa Durão, do ASA, o Fed deve anunciar uma reversão desse movimento, o chamado quantitative tightening, destinado a normalizar as reservas e evitar estresses financeiros no sistema.

Impacto global e brasileiro

A decisão do Fed tem alcance mundial, pois influencia o valor do dólar — que, quando valorizado, atrai capital estrangeiro para os Estados Unidos. Isso faz com que a moeda americana fique mais cara e pode reduzir os investimentos em países emergentes, como o Brasil. Com o ciclo de queda de juros nos EUA iniciado no mês passado, o capital global busca aplicações mais rentáveis, o que favorece o desempenho da Bolsa brasileira e explica o aumento do interesse em ativos daqui, além de uma operação conhecida como carry trade, onde investidores tomam empréstimos em moedas com juro baixo para aplicar em cenários de juro mais alto no Brasil.

Segundo especialistas, a redução da taxa americana pode levar a uma volta do dólar abaixo de R$ 5,30, estimulando fluxos de capital para o mercado brasileiro e contribuindo para a valorização do real frente à moeda americana.

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Com informações do Jornal Diário do Povo

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