Mercado de trabalho ajuda a reduzir fome, mas desigualdades persistem no Brasil
O mercado de trabalho brasileiro, atualmente em pleno emprego com taxa de desemprego de 5,6%, tem contribuído significativamente para a redução da fome no país. Entre 2023 e 2024, cerca de 2,2 milhões de lares deixaram a insegurança alimentar, levando o Brasil ao menor número de pessoas em situação de fome desde 2004, totalizando 6,4 milhões de indivíduos. Contudo, as desigualdades estruturais ainda influenciam fortemente quem tem acesso à alimentação adequada.
Desigualdades raciais e de gênero no mercado de trabalho
Dados do Censo 2022, divulgados pelo IBGE, mostram que os negros ganham, em média, 57% menos do que os brancos. Além disso, há uma disparidade salarial de 20,9% entre homens e mulheres. Essas diferenças refletem-se na insegurança alimentar, especialmente nas regiões mais vulneráveis, como o Nordeste e o Norte, onde os índices de desemprego aumentam e os domicílios em situação de insegurança alimentar chegam a 34,8% e 37,6%, respectivamente.
Impactos regionais da insegurança alimentar
Departamentalmente, o Nordeste registra a maior proporção de domicílios em insegurança alimentar, acompanhada pelo Norte, regiões com maior índice de desemprego — 8,2% e 6,5%. Já no Sudeste, essa taxa é de 19,7%, e no Sul, 13,6%. A desigualdade regional é agravada pela menor maturidade do mercado de trabalho e pelo menor nível de escolaridade na região Norte e Nordeste, segundo Vitor Hugo Miro, pesquisador do Centro de Estudos para o Desenvolvimento do Nordeste, da FGV Ibre.
Políticas de combate à fome e os desafios futuros
Para superar essas disparidades, especialistas defendem a necessidade de melhorar o ambiente de negócios, ampliar a infraestrutura e investir em educação e qualificação profissional, especialmente nas regiões mais pobres. Algumas ações já estão em andamento, mas Miro destaca que os efeitos não são imediatos, reforçando a importância das políticas de transferência de renda aos mais vulneráveis enquanto o desenvolvimento estrutural acontece. “Quem tem fome, tem pressa”, afirma.
O papel das ações específicas para regiões e populações
O combate à fome exige políticas diferenciadas, considerando características regionais e culturais. Enquanto no meio urbano as transferências de renda e o dinamismo do mercado de trabalho têm maior impacto, no meio rural há uma necessidade premente de oferecer crédito, assistência técnica e canais de comercialização para agricultores que permanecem sem acesso a esses recursos, apesar da disponibilidade de terras para cultivo.
Os números revelam avanços, mas indicam que ainda há muita desigualdade a ser enfrentada no Brasil. A combinação de melhorias econômicas, políticas sociais e estruturais é fundamental para garantir uma redução sustentável na insegurança alimentar do país.
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Com informações do Jornal Diário do Povo
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