Preços da indústria caem pelo sétimo mês consecutivo em agosto

Pelo sétimo mês seguido, os preços na indústria registraram recuo, com uma queda de 0,20% em agosto em relação a julho de 2025. Segundo o IBGE, o Índice de Preços ao Produtor (IPP) mede os preços de produtos na porta de fábrica, sem impostos e fretes, e indica a tendência do mercado de preços no setor industrial.

Composição do recuo e importância do IPP

Na análise do setor industrial, doze das vinte e quatro atividades tiveram redução de preços, com destaque para o setor de alimentos, que apresentou a maior influência na variação geral de -0,20%. Os preços de alimentos caíram 0,44% em agosto, contribuindo com -0,11 ponto percentual na variação total. Entre os principais produtos que influenciaram o setor de alimentos estão carnes e miudezas de aves congeladas e café torrado e moído, enquanto óleo de soja e açúcar VHP apresentaram variações positivas.

Contexto e perspectivas de inflação

O acumulado do ano aponta uma redução de 3,62% no índice geral, enquanto a variação em 12 meses foi de 0,48%. O economista André Braz, coordenador dos Índices de Preços do FGV Ibre, destaca que o dado reforça a tendência de desaceleração da inflação. Braz acrescenta que os IPPs, que geralmente antecedem o IPCA, sinalizam uma trajetória positiva na contenção da alta dos preços.

“Isso é uma boa indicação, pois normalmente os IPPs, os IPAs, ficam ‘grávidos’ do IPC e do IPCA. Esse resultado é uma notícia positiva para a inflação”, afirmou Braz.

Impacto na inflação de setembro

A inflação de setembro, registrada em 0,48%, veio abaixo das expectativas do mercado e foi considerada mais benigna pelos analistas. Braz avalia que o dado reforça a possibilidade de a taxa de inflação ficar próxima ou até dentro do meta de 4,5% ao final do ano, contribuindo para o cenário de menor pressão de preços.

Dados do setor de alimentos e influências

Apesar do recuo nos preços, o setor de alimentos acumula uma queda de 7,55% no ano, enquanto, na comparação com agosto do ano passado, houve uma alta de 1,45%. Entre os produtos que mais influenciaram esse movimento, estão carnes e miudezas de aves congeladas e café torrado/moído em campo negativo, e óleo de soja e açúcar em campo positivo.

A expectativa é que os sinais de desaquecimento dos preços continuem contribuindo para um cenário de inflação mais controlada nos próximos meses, influenciando as decisões do Banco Central na política de juros.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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