Caixa retoma financiamento de até 80% do valor de imóveis

A Caixa Econômica Federal anunciou nesta sexta-feira (10) a retomada do financiamento de até 80% do valor de imóveis pelo Sistema de Amortização Constante (SAC), revertendo a limitação de 70% adotada desde novembro do ano passado. A medida faz parte de um pacote de estímulos ao crédito habitacional, impulsionado por mudanças nas regras do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e na poupança.

Reinício do crédito de até 80% para imóveis e ampliação de teto

Durante evento no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo, o governo apresentou um novo modelo de crédito imobiliário que busca ampliar o acesso à moradia e fortalecer a estabilidade econômica após um período de restrição. A decisão eleva o limite de financiamento para imóveis de até R$ 1,5 milhão no SAC e aumenta o teto do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões.

Com isso, o uso do FGTS passa a ser possível em operações de maior valor, beneficiando famílias com renda mensal de até R$ 8 mil. Para imóveis acima de R$ 2 milhões, os financiamentos serão enquadrados no Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), com liberação de até 20% dos recursos.

Condições melhores e impacto na acessibilidade

As novas regras reduzem a entrada mínima de 30% para 20% do valor do imóvel, enquanto os juros permanecem em até 12% ao ano, acrescidos da Taxa Referencial (TR). Para o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), as taxas foram mantidas, sem reajustes em 2025. Já imóveis de médio e alto padrão terão acréscimos de 1 a 2 pontos percentuais, parcialmente compensados pelo uso do FGTS.

A medida também favorece famílias que buscam financiamento de imóveis de até R$ 800 mil, que poderão financiar até R$ 640 mil, contra R$ 560 mil autorizados anteriormente. Segundo a Caixa, o desembolso de recursos deve alcançar inicialmente R$ 20 bilhões este ano, com expectativa de que, até 2035, 100% dos recursos da poupança sejam utilizados em financiamentos imobiliários.

Reforço ao FGTS e plano de estímulo ao setor

O orçamento destinado ao FGTS para habitação foi ampliado para R$ 142 bilhões neste ano, priorizando imóveis novos. A utilização do fundo possibilitará abatimento de entrada, amortização ou liquidação de saldo devedor, além de servir como caução de créditos futuros. Para isso, o beneficiário deve residir no imóvel, não possuir outro financiamento na mesma localidade e comprovar pelo menos três anos de contribuição ao fundo.

As mudanças visam reverter a forte queda nas operações com FGTS para imóveis usados, que caiu 85% no programa Minha Casa Minha Vida e 98% no Pró-Cotista entre maio e outubro de 2025. A previsão é de uma retomada gradual, com cerca de 50 mil novas operações neste ano.

Impactos e novos programas habitacionais

O pacote de estímulos inclui também ações como o programa Desenrola, de renegociação de dívidas, e uma linha de crédito de R$ 7,5 bilhões para reformas de moradias em 2025 e 2026. A iniciativa combina recursos da poupança e do FGTS, beneficiando diretamente 120 mil famílias neste ano e gerando aproximadamente 2,8 milhões de empregos no setor de construção civil, segundo estimativas do governo.

O objetivo é alcançar 80 mil novos financiamentos adicionais pela Caixa até 2026, com foco na classe média e famílias com renda entre R$ 12 mil e R$ 20 mil, fora do escopo do programa Minha Casa Minha Vida. Parte dos recursos do Fundo Social do Pré-Sal, aproximadamente R$ 20 bilhões, será destinada à construção de moradias com infraestrutura de serviços públicos.

Segundo o governo, a ampliação do crédito habitacional deve manter o setor imobiliário aquecido e evitar retração no mercado, uma vez que o segmento de habitação responde por cerca de 6% do PIB via FGTS.

Para mais detalhes, acesse a fonte original.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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