BRICS debate fortalecimento do comércio e respostas a tarifas de Trump
Os líderes do BRICS se reunirão virtualmente na próxima segunda-feira, convocados pelo Brasil, para discutir estratégias de fortalecimento do comércio entre os países do grupo e responder às tarifas protecionistas dos Estados Unidos, especialmente em relação ao Brasil, Índia e China.
Agenda do BRICS: fortalecimento do multilateralismo e economia
O principal tema da reunião será a defesa do multilateralismo e a ampliação das trocas comerciais, incluindo o uso de moedas locais nas transações internacionais, uma medida que preocupa os EUA. Segundo interlocutores do governo brasileiro, a proposta visa diversificar as formas de pagamento e reduzir a dependência do dólar, gerando tensões com Washington, que ameaça aplicar tarifas adicionais.
Cenário de incertezas e tensões políticas
A reunião ocorre em meio a um cenário de incertezas no Brasil, devido ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado no Supremo Tribunal Federal. Caso seja condenado, o governo dos EUA poderá ampliar sanções econômicas, como aconteceu com o ministro Alexandre de Moraes, avaliam integrantes do Palácio do Planalto. Essa possibilidade influencia a discussão sobre as relações comerciais com Washington, que tem aumentado tarifas sobre produtos brasileiros, como carnes, calçados e frutas.
Reações aos protecionismos e estratégias do grupo
O governo brasileiro já manifestou resistência às tarifas americanas e entrou com um pedido de consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC). Além disso, enviou um relatório a Washington detalhando ações de combate à corrupção, desmatamento, pirataria e outros temas de interesse bilateral. Apesar das investigações dos EUA sobre práticas comerciais do Brasil, o governo brasileiro reafirma a postura de defesa de sua autonomia nas negociações.
Respostas econômicas e diplomáticas
O Brasil anunciou que pode adotar retaliações baseadas na Lei de Reciprocidade, permitindo aumentos tarifários e outras medidas de proteção às exportações nacionais. Entre os temas em pauta, também estão os impactos das tarifas elevadas e as estratégias para fortalecer o comércio interno do grupo, inclusive com o uso de moedas locais, o que preocupa o administração de Donald Trump, que ameaça endurecer sanções a países que reduzirem a importância do dólar nas operações internacionais.
Perspectivas e próximos passos
A expectativa é que a reunião, totalmente virtual, seja marcada para segunda-feira, enquanto a agenda dos 11 países do BRICS — África do Sul, Arábia Saudita, Brasil, China, Egito, Emirados Árabes, Etiópia, Índia, Indonésia, Irã e Rússia — esteja sendo ajustada. Os líderes discutirão ainda o cenário global, incluindo a guerra na Ucrânia, a situação na Faixa de Gaza, e a COP30, que acontecerá em Belém no próximo mês. Lula deverá reforçar o convite para a participação de todos na conferência climática.
Para os participantes, a saída do impacto inicial dos conflitos políticos é o movimento do mundo em direção a novas configurações econômicas, com menor influência dos EUA e maior protagonismo do bloco. A Índia, que era considerada uma alternativa econômica à China, viu-se afetada pela política protecionista de Trump, que cancelou avanços nesse sentido e consolidou uma postura mais comercial do BRICS.
Segundo especialistas, a reunião representa uma tentativa de consolidar o grupo como um espaço de resistência às pressões externas e de fortalecimento da cooperação multilateral entre seus países membros.
Para mais detalhes, confira a reportagem completa em O Globo.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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