Café brasileiro busca isenção de tarifa nos EUA em negociações diplomáticas

Na última sexta-feira, representantes do setor de café brasileiro participaram de uma reunião virtual com funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos para reivindicar a exclusão da tarifa de 50% aplicada pelo governo americano a produtos brasileiros, incluindo o café.

Setor de café pressiona por reversão na tarifa dos EUA

O Brasil, que responde por 32% do consumo de café nos Estados Unidos, reiterou seus argumentos já apresentados ao USTR (Representante Comercial dos EUA) na tentativa de diminuir ou eliminar a tarifa de 50%, vigente desde julho passado. A reunião, articulada com apoio do deputado Evair Vieira de Melo e da embaixada americana em Brasília, contou com a participação de empresários e representantes da indústria do café brasileiro.

Diálogo e próximos passos na seção 301

Durante o encontro, o setor reforçou que busca estar presente na audiência pública prevista para os dias 3 e 4 de setembro em Washington, no âmbito do processo da chamada seção 301, que permite ao USTR investigar práticas comerciais estrangeiras sob suspeita de violar acordos internacionais. A intenção é participar ativamente do processo de defesa contra as tarifas, que prejudicam a competitividade do café brasileiro no mercado americano.

“Foi uma primeira conversa, na qual reiteramos nossos argumentos e solicitamos presença na audiência. Nosso objetivo é abrir um canal de diálogo contínuo para buscar uma solução justa”, explicou Marcos Matos, diretor executivo da Cecafé. Além disso, a entidade enviou documentação e argumentos ao governo dos EUA, pedindo a formação de um grupo de trabalho para negociar a questão.

Impactos econômicos e a relação bilateral

Desde a implementação da tarifa, o preço da libra de café nos EUA subiu de US$ 2,70–2,80 para cerca de US$ 3,40, elevando os custos para o consumidor americano e prejudicando toda a cadeia produtiva. Segundo dados da Associação Nacional do Café dos EUA (NCA), o mercado interno movimenta US$ 343 bilhões anuais e gera 2,2 milhões de empregos, o que evidencia a importância do setor.

Para o setor brasileiro, a tarifa de Trump ameaça uma relação comercial de longa data e pode dificultar a substituição do café brasileiro no mercado americano, especialmente diante da já elevada demanda por café no país, que soma mais de US$ 110 bilhões anuais em gastos com o produto. A embaixada brasileira em Washington tem ajudado a promover ações que visam garantir uma atuação transparente na defesa dos interesses comerciais do Brasil.

Perspectivas futuras na diplomacia comercial

Segundo Marcos Matos, a estratégia agora é ampliar contatos e formar uma nova agenda de negociações, com o objetivo de evitar que a tarifa prejudique ainda mais o setor no longo prazo. “Estamos trabalhando para aumentar nossa influência nas negociações e formar um grupo de trabalho específico para tratar do tema”, afirmou.

Especialistas apontam que a manutenção da tarifa pode ser altamente prejudicial para os produtores brasileiros, além de elevar os custos ao consumidor final nos EUA. A expectativa é que o diálogo diplomático continue, com a possibilidade de revisão da tarifa, que já elevou o preço do café e impactou a cadeia produtiva.

A tensão entre Brasil e EUA no tema é mais um capítulo das dificuldades enfrentadas na relação comercial, marcada por negociações complexas e interesses econômicos de parte a parte. O resultado final da disputa ainda está incerto, mas o setor de café segue atento às próximas movimentações diplomáticas.

Para acompanhar o desenvolvimento da questão, acompanhe as atualizações no site do Globo.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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