Dependência brasileira de fertilizantes russos gera preocupação com possíveis retaliações

O aumento das tensões internacionais, especialmente após a imposição de tarifas adicionais pelos Estados Unidos à Índia, acendeu alertas em Brasília sobre os riscos de retaliações econômicas. A dependência do Brasil na importação de fertilizantes russos, que representam uma parte significativa do abastecimento do agronegócio, torna o país vulnerável a sanções e bloqueios logísticos, sobretudo em um cenário de deterioração das relações entre Washington e Moscou.

Relações bilaterais Brasil-Rússia sob tensão

Durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, o Brasil firmou forte parceria com a Rússia, destacando-se a compra de fertilizantes estratégicos para o setor agrícola nacional. Em 2022, Bolsonaro visitou Putin em Moscou, reforçando o interesse brasileiro no comércio de insumos essenciais ao agronegócio, que responde por uma fatia importante da balança comercial brasileira.

Atualmente, o comércio bilateral entre os dois países atingiu US$ 12,4 bilhões em 2024, com o Brasil exportando principalmente soja, café e carne bovina, enquanto importa óleos combustíveis e fertilizantes químicos. Apesar do crescimento, a dependência de fertilizantes russos — 34% das importações brasileiras do insumo — revela uma vulnerabilidade que pode gerar dificuldades futuras.

Especialistas alertam para riscos diplomáticos e econômicos

Fernando Canutto, sócio do Godke Advogados, avalia que os acordos feitos pelo governo Bolsonaro, embora beneficiaram o país na época, podem agora colocar o Brasil em uma espécie de “zona de risco” na política externa. “A continuidade dessa dependência pode ser interpretada pelos Estados Unidos como alinhamento político com Moscou, o que aumenta o risco de sanções econômicas e comerciais”, explica.

Segundo ele, o risco de interrupção no fornecimento de fertilizantes, causado por sanções, embargos e bloqueios logísticos, é uma preocupação real. Além disso, a reputação do Brasil junto a parceiros ocidentais pode ser colocada em xeque, dificultando negociações e elevando a possibilidade de sobretaxas em produtos brasileiros enviados ao mercado americano, como soja, carne e celulose.

Perspectivas para a diplomacia brasileira

Canutto sugere que o Brasil precise adotar uma postura pragmática, diversificando seus parceiros comerciais e buscando alternativas fora do eixo Rússia-EUA. “Investir em autossuficiência através de reservas minerais nacionais e inovação tecnológica para produção de fertilizantes é uma saída para reduzir a vulnerabilidade”, afirma.

Ele destaca ainda que, caso as sanções sejam impostas, o Brasil poderá recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC), ainda que o processo seja demorado. Uma estratégia mais rápida seria intensificar negociações bilaterais com os Estados Unidos e ampliar acordos comerciais com outros países, como Canadá, Marrocos e China, buscando maior resiliência econômica frente às pressões externas.

O cenário de incertezas e a necessidade de ações estratégicas

O atual contexto exige que o Brasil equilibre suas ações diplomáticas e comerciais, evitando alinhamentos ideológicos e fortalecendo seus laços com diversas potências globais. Além disso, o país deve investir na própria produção de fertilizantes e em tecnologias de inovação para diminuir a dependência externa, fortalecendo sua segurança alimentar e sua autonomia econômica no longo prazo.

Com a evolução das tensões internacionais, a autoridade brasileira precisa agir com cautela, considerando os riscos políticos e econômicos de manter uma relação tão dependente de um aliado estratégico como a Rússia.

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Com informações do Jornal Diário do Povo

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