Tarifa de Trump pode elevar preços de café e açúcar brasileiro nos EUA

Na quarta-feira, 30 de julho, o presidente americano Donald Trump assinou uma ordem executiva que estabelece uma tarifa de 50% para produtos brasileiros que entram nos Estados Unidos a partir de 6 de agosto. A ação, que gera preocupação em setores exportadores brasileiros, inclui uma lista de quase 700 itens isentos e outros sujeitos à sobretaxa.

Produtos brasileiros mais afetados pelos tarifões nos EUA

Entre os itens que podem ficar mais caros para os consumidores americanos estão produtos de destaque, como café e açúcar orgânico, nos quais o Brasil é um importante fornecedor. A medida deve impactar também mangas, goiabas, carne bovina, chocolates e metais utilizados na indústria automotiva.

Café brasileiro em risco de aumento de preços

O Brasil é responsável por cerca de um terço de toda a importação de café dos EUA, consolidando sua posição como maior fornecedor global. Com a tarifa, o valor do café brasileiro pode subir, dificultando a substituição por outros países como Colômbia e Vietnã, que respondem por menores porcentagens da pauta de importação americana.

De acordo com Wilber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil, é difícil substituir o café brasileiro por outros fornecedores, especialmente devido ao perfil de sabor único do produto nacional. A análise do centro de pesquisa Tax Foundation aponta que o aumento de preços de alimentos nos EUA pode ser de até 1,8%, o que equivale a uma perda de R$ 13,4 mil por núcleo familiar em 2025.

Açúcar orgânico também pode ficar mais caro

Nos EUA, o Brasil responde por quase metade das importações de açúcar orgânico, essencial para produtos com selo do USDA, como iogurtes, sorvetes e chocolates. A tarifa de 50% pode elevar os custos de produção e, por consequência, os preços ao consumidor final, prejudicando o setor de alimentos orgânicos.

Impacto no mercado de carnes e frutas

O Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina para os EUA, respondendo por 23% das importações do produto. A tarifa pode levar a uma alta de aproximadamente 1,1% nos preços da carne bovina, que já apresentava valores recordes neste ano.

No segmento de frutas, o país figura como o quarto maior fornecedor de mangas e goiabas, com US$ 56 milhões embarcados para os EUA em 2024. Produtores brasileiros de manga já relatam cancelamentos de pedidos devido à tarifação, que pode dificultar a manutenção da oferta e elevar os preços.

Setores industriais e de commodities também podem ser afetados

Itens como cacau, usados na produção de chocolate, e metais como aço e alumínio, essenciais na indústria automotiva, também estão na lista de produtos sujeitos à tarifa. O aumento do custo dessas commodities pode impactar diversos setores da economia, incluindo a produção de veículos.

Reação do mercado e possíveis alternativas

Analistas avaliam que, apesar do aumento de preços, grande parte do impacto será percebido nos meses seguintes, dependendo da capacidade de substituição de fornecedores e da sensibilidade dos consumidores aos preços mais elevados. Caso a demanda permaneça alta, os preços poderão subir ainda mais nos supermercados americanos.

Perspectivas e próximos passos

O governo dos EUA ainda não anunciou se produtos brasileiros com apelo de consumo elevado, como café e açúcar orgânico, poderão ser incluídos em alguma lista de exceções. A expectativa é que o Departamento de Comércio dos EUA defina nos próximos dias se haverá ajustes na lista de isenções e subsídios.

Para o Brasil, a medida representa um desafio que pode aprofundar os efeitos das tarifas já existentes em outros setores, como o aço, e reforça a necessidade de ampliar mercados alternativos. Para os consumidores nos EUA, o impacto deve se refletir na inflação de alimentos e outros produtos importados do Brasil nas prateleiras.

Mais detalhes sobre o impacto da tarifa de Trump podem ser acessados na matéria completa do G1.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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