BlindPay, startup brasileira de stablecoins, levanta US$ 3,3 milhões com apoio de ex-cofundador do YouTube

A BlindPay, startup brasileira fundada por empresários locais, anunciou a captação de US$ 3,3 milhões em uma rodada de investimento de fase seed, impulsionada pelo apoio de investidores internacionais, como o ex-cofundador do YouTube, Jawed Karim. A empresa desenvolveu uma tecnologia que viabiliza transferências de recursos em escala internacional usando stablecoins, moedas digitais lastreadas em ativos reais, frequentemente vinculadas ao dólar.

Impulso do mercado de stablecoins e destaque internacional

Este momento coincide com uma fase de fortalecimento do segmento de “stablecoins”, diante do avanço de legislações nos Estados Unidos e do apoio de figuras públicas ao mercado cripto, como o recém-convertido ex-presidente Donald Trump. Segundo fontes do setor, o valor de mercado das stablecoins ultrapassou US$ 4 trilhões após a aprovação, em solo americano, da primeira legislação federal sobre esses ativos.

A rodada foi do tipo “semente”, a primeira etapa no ciclo de financiamento de startups. Além de Karim, outros investidores incluem a corretora de criptomoedas Bitso e fundos como 468 Capital, Transpose Platform e Acacia Venture. O resultado reflete o sucesso do programa de aceleração YCombinator, que incubou a BlindPay no início de 2024, desembolsando, geralmente, US$ 500 mil por empresa em troca de 7% de participação.

Internacionalização e desenvolvimento tecnológico

De acordo com Bernardo Simonassi, CEO e cofundador, a passagem pela YCombinator consolidou a transformação da BlindPay em uma companhia global. “Antes, atuávamos apenas no Brasil. Agora, com presença nos Estados Unidos, fica muito mais fácil comercializar nossa solução”, afirmou Simonassi. A startup visa se estabelecer como uma infraestrutura digital alternativa às tradicionais transferências internacionais, eliminando intermediários e simplificando o processo via APIs tecnológicas que utilizam blockchain e stablecoins.

Soluções para fintechs e bancos

Segundo Simonassi, o foco da BlindPay é fornecer uma solução “white label” — ou seja, uma infraestrutura tecnológica que outras empresas podem integrar às suas plataformas, muitas vezes sem que os usuários finais percebam. A companhia já processou mais de US$ 125 milhões em transferências neste ano, com US$ 46 milhões apenas em julho, e projeta atingir US$ 100 milhões mensais até o fim de 2025.

Atualmente, a startup trabalha com stablecoins como USDC e USDT, preferidas por sua liquidez e estabilidade, e mantém mais de 60 clientes, principalmente na América Latina. “Estamos negociando com bancos no Brasil para permitir contas globais via stablecoins”, revelou João Borges, cofundador.

Perspectivas futuras e impacto no mercado

Com a nova rodada de investimentos, a BlindPay espera ampliar sua infraestrutura, aumentar sua base de clientes e fortalecer sua presença em mercados internacionais. O movimento sinaliza uma mudança na forma como transferências financeiras transnacionais podem ser realizadas, com maior agilidade, menor custo e maior transparência, respaldada pelo crescimento do mercado de stablecoins e de legislações mais favoráveis no exterior.

A iniciativa reforça o papel do Brasil como um inovador no cenário financeiro global e aponta para uma nova fase na adoção de criptomoedas lastreadas em ativos reais, com potencial de transformar o setor de pagamentos internacionais.

Para saber mais sobre o mercado de stablecoins e as novidades do setor, acesse o artigo sobre o impacto de Trump no mercado de cripto.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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