Impacto da política tarifária americana na economia global e brasileira
A política de tarifas elevada iniciada pelo presidente Donald Trump causa incertezas e provoca mudanças no cenário econômico mundial, afetando também o Brasil. Segundo o embaixador José Alfredo Graça Lima, vice-presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), as tarifas podem prejudicar a economia dos Estados Unidos sem, necessariamente, reduzir o déficit comercial, especialmente devido à perda de competitividade do país, principalmente frente à China.
Repercussões na economia mundial e no Brasil
De acordo com Graça Lima, o impacto das tarifas varia por setor, com efeitos mais severos em alguns produtos e praticamente nenhum em outros. “A economia dos Estados Unidos pode ser bastante prejudicada em setores específicos, mas os efeitos globais ainda são incertos”, explicou. Ele destacou que o aumento de tarifas tende a causar inflação e redução de atividade econômica nos EUA, o que pode refletir em uma desaceleração do crescimento mundial.
O economista Márcio Garcia, professor da PUC-Rio, reforça que a incerteza causada por essas medidas afeta o investimento e o emprego globalmente. “Ainda não vivemos um choque tarifário semelhante ao da década de 1930, mas as consequências podem ser próximas, com impacto inflacionário e recessivo”, avalia. Garcia afirma que o aumento de tarifas deve gerar dificuldades também para exportadores brasileiros, especialmente aqueles que dependem do mercado americano e ainda não sabem se conseguirão manter suas vendas para os EUA.
Reações e reequilíbrios no comércio internacional
Segundo García, países asiáticos, como Indonésia, Filipinas e Vietnã, responderam às tarifas americanas ofertando zerar suas próprias tarifas em troca de tarifas de até 19% dos EUA. “Isso pode resultar na abertura de mercados, embora com custos mais altos”, explica. No caso do Brasil, as negociações continuam incertas, pois o país apresentou uma oferta menos ambiciosa, incluindo tarifas de 50% sobre diversos produtos, com exceções.
O embaixador Graça Lima avalia que o sistema da Organização Mundial do Comércio (OMC) está sob ataque, especialmente após a suspensão do órgão de apelação. “Apesar disso, o comércio mundial tende a manter suas bases, e o cenário atual é uma oportunidade de repensar as relações comerciais, objetivando a retomada de regras multilaterais”, reforça.
Resposta do Brasil e o futuro do comércio
O diplomata destaca que o Brasil, diferente de outros países, apresenta tarifas elevadas, com cerca de 50% em algumas categorias. Nesse contexto, a negociação com os EUA e outros parceiros deve buscar uma abertura maior do mercado interno, reduzindo protecionismos. Graça Lima também alertou que a estratégia de concessões tarifárias deve ser cautelosa, para evitar armadilhas e manter o equilíbrio fiscal.
Em relação às medidas emergenciais, García sugere que o governo adote programas de crédito para evitar falências e desemprego, especialmente na crise atual. “O apoio, se bem direcionado, pode evitar danos mais profundos na economia brasileira e manter a estabilidade do mercado de trabalho”, afirmou.
Por fim, ambos concordam que o enfraquecimento da OMC e a tendência de protecionismo podem, a longo prazo, frear o crescimento global, uma vez que o comércio é o motor do desenvolvimento econômico. “Se os países não reagirem de forma coordenada, o mundo pode se tornar mais fechado, prejudicando todos”, alertou Graça Lima.
Para ler a entrevista completa, acesse: Fonte.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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