Setor produtivo pede diálogo em meio ao tarifaço de Trump

Na primeira reunião entre ministros, empresários, e representantes do agronegócio, manifestou-se um consenso: a defesa da negociação com os Estados Unidos diante do tarifaço de 50% anunciado por Donald Trump, válido a partir de 1º de agosto. O setor produtivo solicita que o governo esgote as possibilidades de diálogo antes de considerar retaliações.

Contexto do tarifaço e apelos por negociação

Trump justificou a medida afirmando que pode agir dessa forma devido ao tratamento judicial dispensado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, e afirmou que fez “porque posso”. Apesar dos apelos por negociação por parte de empresas americanas e entidades do setor, o presidente dos EUA deixou clara a intenção de seguir com a sobretaxa, reforçando que fez “porque eu posso fazer isso”.

Reações e esforços diplomáticos

Geraldo Alckmin, vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, informou que o governo não pediu prorrogação do prazo para o tarifão, mas está disposto a negociar até o último minuto, com a possibilidade de trabalhar com um prazo de 90 dias em caso de impasse. O objetivo é resolver a questão até 31 de julho, o mais rápido possível, sempre buscando evitar ações de retaliação antes de 1º de agosto.

Durante o encontro no Palácio dos Bandeirantes, Alckmin afirmou que o governo buscará uma saída diplomática, com “pontos de convergência” entre os dois países, sempre com foco no aspecto comercial. Empresários destacaram que a construção de um mercado alternativo é de longo prazo e que, por ora, não há espaço para debates políticos, concentrando-se na tentativa de evitar prejuízos econômicos.

Impacto econômico e setor empresarial

O presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes da Silva, reforçou a importância de manter as boas relações comerciais, acreditando que a relação diplomática entre Brasil e EUA não será rompida de forma abrupta. Empresários presentes na reunião, como representantes da indústria têxtil, aviação, e agronegócio, ressaltaram que a prioridade é a questão econômica, com alguns setores podendo considerar uma redução gradual da tarifa para 10%, enquanto outros a veem como inviável a longo prazo.

Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), destacou que o impacto das tarifas nas exportações é severo, estimando uma perda de até 110 mil postos de trabalho se a medida entrar em vigor. Além disso, empresas brasileiras, como a Embraer, que verá sua produção ficar mais cara em até R$ 50 milhões por unidade, defendem que o foco deve ser na negociação econômica, deixando de lado questões políticas e jurídicas.

Perspectivas e estratégias futuras

Alckmin afirmou que o governo está trabalhando para uma resolução rápida e que, se necessário, pode solicitar mais prazo, embora sua posição seja de buscar uma solução definitiva até o final de julho. Uma das estratégias discutidas inclui o envio de uma nova carta aos EUA, cobrando resposta à correspondência enviada em maio, além de ações voltadas a fortalecer a relação comercial.

Durante o encontro em São Paulo, o ex-presidente da Fiesp, Paulo Skaf, considerou o clima “de diálogo construtivo”. A articulação com o empresariado visa evitar medidas de retaliação, com o governo evitando ações intempestivas, e buscando pontos de convergência comercial, sobretudo em setores estratégicos como aviários, bebidas, e máquinas.

Ao tratar da questão política, Alckmin reforçou que o Brasil não pretende ser reativo de forma intempestiva, priorizando a busca por soluções diplomáticas e econômicas. Segundo ele, a relação de mais de 200 anos de cooperação deve prevalecer, mesmo diante das tensões atuais.

Mais informações podem ser acessadas em Fonte.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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